SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, de 42 anos, procurou a UPA com relato de que há dois dias apresenta vômitos, inicialmente claros e, posteriormente, com conteúdo fecaloide, redução na eliminação de fezes e flatos, associada à dor abdominal em cólica difusa no abdômen. Ao exame da admissão, se observava cicatriz mediana de cirurgia anterior por ferimento por arma branca há dez anos, distensão abdominal importante e aparentemente sem hérnias de parede abdominal. Foram realizadas radiografias simples de abdômen e tórax e o paciente foi regulado para um serviço de emergência cirúrgica, onde foi feita a opção por tratamento conservador com medidas de suporte e descompressão gástrica. Atualmente está com 48 horas de tratamento conservador com o mesmo quadro clinico de entrada (não houve piora ou melhora). Qual deve ser a próxima conduta?
Obstrução intestinal por aderências: falha do tratamento conservador após 48-72h → indicação cirúrgica.
A obstrução intestinal por aderências é comum em pacientes com cirurgia abdominal prévia. Se o tratamento conservador (jejum, SNG, hidratação) não resultar em melhora clínica após 48-72 horas, ou se houver sinais de complicação (isquemia, perfuração), a abordagem cirúrgica (laparotomia exploradora) é indicada.
A obstrução intestinal é uma condição comum e grave, sendo as aderências pós-cirúrgicas a causa mais frequente no intestino delgado. Pacientes com histórico de cirurgia abdominal, como o caso do ferimento por arma branca, têm maior risco. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal em cólica, distensão, náuseas, vômitos (que podem evoluir para fecaloides) e parada de eliminação de flatos e fezes. O diagnóstico inicial é clínico e radiológico, com radiografias simples de abdômen mostrando alças dilatadas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa, o local da obstrução e avaliar sinais de complicação, como isquemia. O tratamento inicial é frequentemente conservador, com jejum, hidratação venosa e descompressão gástrica por sonda nasogástrica. A decisão de manter o tratamento conservador ou indicar cirurgia é crucial. Se não houver melhora clínica após 48-72 horas de tratamento conservador, ou se surgirem sinais de alarme como piora da dor, febre, taquicardia, leucocitose, sinais de peritonite ou evidência de isquemia/necrose intestinal, a laparotomia exploradora é imperativa. A demora na intervenção cirúrgica em casos de falha do tratamento conservador aumenta significativamente o risco de morbidade e mortalidade devido a complicações como perfuração e sepse.
Os sintomas incluem dor abdominal em cólica, náuseas e vômitos (que podem se tornar fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes.
O tratamento conservador é apropriado para obstruções parciais ou por aderências sem sinais de estrangulamento, com medidas como jejum, sonda nasogástrica para descompressão e hidratação venosa.
A falha do tratamento conservador é indicada pela ausência de melhora clínica após 48-72 horas, piora da dor, febre, taquicardia, leucocitose, sinais de peritonite ou evidência radiológica de progressão da obstrução ou isquemia.
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