UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Paciente A.P., masculino, 68 anos, com história de ter sido operado anteriormente por câncer de cólon descendente, realizada colectomia esquerda por via aberta, com anastomose manual término-terminal, com boa evolução pós-operatória, recebendo alta hospitalar. Após 02 anos dessa cirurgia, evolui com hérnia incisional, na cicatriz mediana, de forma eletiva e programada realizou uma hernioplastia incisional com tela de prolipropileno, novamente com boa recuperação. Esse paciente, 01 ano após essa segunda cirurgia, apresenta quadro súbito de dor abdominal, em hemiabdome esquerdo, tipo cólica, forte intensidade, com distensão abdominal, com náuseas e vários episódios de vômitos, diminuição da eliminação de gazes e fezes. Deu entrada no Pronto Atendimento Adulto, o médico plantonista faz o atendimento, com diagnóstico sindrômico de obstrução intestinal. Qual é a principal hipótese diagnóstica para esse paciente?
Obstrução intestinal em paciente com cirurgias abdominais prévias → Aderências são a principal causa.
Em pacientes com histórico de cirurgias abdominais, as aderências são a causa mais comum de obstrução intestinal. O quadro clínico de dor abdominal súbita, tipo cólica, distensão, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes é altamente sugestivo de obstrução.
A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, e as aderências abdominais são a principal causa, especialmente em pacientes com histórico de cirurgias prévias. Essas aderências são bandas de tecido fibroso que se formam como parte do processo de cicatrização após trauma ou cirurgia, podendo levar à torção ou estrangulamento de alças intestinais. O quadro clínico típico inclui dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes (obstipação). O diagnóstico é primariamente clínico, mas exames de imagem como radiografias simples de abdome e tomografia computadorizada são cruciais para confirmar a obstrução, identificar a causa e avaliar a presença de complicações como isquemia. O manejo inicial da obstrução intestinal por aderências é conservador na maioria dos casos, com descompressão nasogástrica, hidratação venosa e analgesia. A cirurgia é indicada em casos de falha do tratamento conservador, sinais de estrangulamento ou isquemia intestinal. A prevenção de aderências é um desafio na cirurgia abdominal.
Os principais fatores de risco são cirurgias abdominais prévias, especialmente as abertas, infecções intra-abdominais, endometriose e radioterapia abdominal.
As aderências são bandas de tecido fibroso que se formam entre órgãos ou entre órgãos e a parede abdominal, podendo estrangular ou torcer alças intestinais, impedindo a passagem do conteúdo.
Radiografias simples de abdome (níveis hidroaéreos, distensão de alças), tomografia computadorizada de abdome (localização da obstrução, causa, sinais de isquemia) e, em alguns casos, trânsito intestinal.
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