UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Mulher de trinta e cinco anos de idade compareceu ao pronto-socorro com quadro de dor abdominal difusa havia 12 horas, associada a distensão abdominal, vários episódios de vômito e parada de eliminação de flatus. A paciente informou que havia evacuado no dia anterior à consulta, que seus ciclos menstruais estavam regulares e que sua última menstruação havia ocorrido 20 dias antes da consulta. G3P2C2A1. Ao exame físico, apresentou-se desidratada, com sinais vitais normais; além disso, o exame revelou ruídos hidroaéreos diminuídos e abdome pouco distendido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. O primeiro exame de imagem a ser solicitado é a radiografia de abdome.
Vômitos + distensão + parada de flatos + cirurgia prévia → Rotina de Abdome Agudo (RX Tórax + Abdome).
A radiografia de abdome (em pé e deitado) e de tórax é o passo inicial para identificar níveis hidroaéreos e pneumoperitônio na suspeita de obstrução mecânica.
O abdome agudo obstrutivo é uma síndrome caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Clinicamente, manifesta-se por dor abdominal em cólica, distensão, vômitos (que podem ser biliosos ou fecaloides dependendo do nível da obstrução) e parada de eliminação de gases e fezes. A anamnese é crucial, focando em cirurgias prévias que sugerem bridas, ou perda de peso que sugere neoplasias. A propedêutica armada inicia-se invariavelmente pela radiografia simples. Embora a Tomografia Computadorizada (TC) tenha maior sensibilidade e especificidade para identificar a causa e o ponto de transição, o RX é rápido, de baixo custo e amplamente disponível, permitindo confirmar a suspeita de obstrução e descartar perfurações (pneumoperitônio) de imediato. O tratamento inicial envolve descompressão gástrica com sonda nasogástrica, reposição volêmica e correção de distúrbios hidroeletrolíticos.
A rotina básica de abdome agudo consiste em três incidências radiográficas: 1) Radiografia de tórax em ortostatismo (para avaliar pneumoperitônio e condições torácicas que mimetizam dor abdominal); 2) Radiografia de abdome em ortostatismo (para visualizar níveis hidroaéreos); e 3) Radiografia de abdome em decúbito dorsal (para avaliar a distribuição de gases e o diâmetro das alças).
Os achados clássicos incluem a distensão de alças de delgado (diâmetro > 3 cm), presença de níveis hidroaéreos (especialmente se em 'escada'), visualização das válvulas coniventes (que atravessam toda a luz da alça) e ausência ou redução de gás no cólon e reto. O sinal do 'empilhamento de moedas' é característico da distensão do jejuno.
As bridas (aderências) intraperitoniais são a causa mais comum de obstrução mecânica do intestino delgado em adultos, respondendo por cerca de 60-70% dos casos. No caso clínico, a paciente possui antecedentes cirúrgicos (cesáreas), o que eleva significativamente a suspeita de obstrução por bridas.
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