UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Paciente idoso, 80 anos, com quadro de vômitos incoercíveis, de aspecto bilioso, há cerca de 24 horas, acompanhado de distensão abdominal importante, com timpanismo ao exame físico e presença de ruídos metálicos. Encontra-se com PA: 80x50, FC: 102, FR: 24, desidratado 3/4+, sonolento. Tem história de cirurgia abdominal por câncer de cólon há cerca de 20 anos. Sobre o diagnóstico e tratamento:
Obstrução intestinal em idoso com instabilidade hemodinâmica → estabilização + RX abdome para confirmar.
O paciente apresenta sinais clássicos de obstrução intestinal (vômitos biliosos, distensão, timpanismo, ruídos metálicos) e choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, desidratação, sonolência). A prioridade é a estabilização hemodinâmica, seguida de exames de imagem para confirmar o diagnóstico e planejar a conduta definitiva.
A obstrução intestinal é uma emergência cirúrgica comum, especialmente em idosos, e frequentemente causada por aderências pós-cirúrgicas, hérnias, neoplasias ou volvo. O quadro clínico típico inclui dor abdominal em cólica, vômitos (que podem ser biliosos ou até fecaloides em obstruções distais), distensão abdominal e alteração do hábito intestinal. Ao exame físico, podem ser encontrados timpanismo e ruídos hidroaéreos metálicos, indicativos de hiperperistaltismo tentando vencer a obstrução. Neste caso, o paciente idoso apresenta, além dos sinais de obstrução, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, desidratação grave e sonolência), configurando um choque hipovolêmico. Esta condição é uma complicação séria da obstrução, devido à perda de fluidos para o lúmen intestinal e terceiro espaço, além dos vômitos. A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica do paciente, com reposição volêmica agressiva e suporte. Após a estabilização inicial, o diagnóstico deve ser confirmado com exames de imagem. O Raio-X de abdome (em pé e deitado) é o primeiro passo, revelando alças dilatadas e níveis hidroaéreos. Embora a tomografia computadorizada seja mais sensível e específica para identificar a causa e o local da obstrução, o Raio-X é rápido e suficiente para a confirmação inicial em um paciente instável. A cirurgia imediata sem estabilização prévia é contraindicada, pois aumenta os riscos operatórios.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos ou fecaloides), distensão abdominal, parada de eliminação de flatos e fezes, e ruídos hidroaéreos metálicos ou ausentes.
A obstrução intestinal pode levar a grande perda de fluidos para o terceiro espaço e vômitos, resultando em desidratação e choque hipovolêmico. A estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos é crucial para restaurar a perfusão tecidual e evitar danos orgânicos antes de qualquer intervenção diagnóstica ou cirúrgica definitiva.
O Raio-X de abdome (em pé e deitado) é o exame inicial de escolha para suspeita de obstrução intestinal. Ele pode revelar alças dilatadas, níveis hidroaéreos e, em alguns casos, a causa da obstrução (ex: cálculo biliar no íleo biliar). É rápido, acessível e ajuda a confirmar a suspeita clínica.
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