CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Em relação à sondagem da via lacrimal em crianças com obstrução congênita, assinale a alternativa correta:
Sondagem via lacrimal infantil → Preferir canalículo superior (melhor angulação).
A sondagem pelo canalículo superior facilita a verticalização da sonda para entrar no ducto nasolacrimal, minimizando o risco de trauma e falsas vias devido à anatomia favorável.
A obstrução congênita do ducto nasolacrimal é a causa mais comum de lacrimejamento (epífora) e secreção ocular em recém-nascidos, geralmente causada pela persistência de uma membrana na válvula de Hasner. O manejo inicial é conservador, mas a intervenção cirúrgica torna-se necessária se não houver resolução. A técnica de sondagem exige precisão anatômica. A preferência pelo canalículo superior baseia-se na facilidade técnica de alinhar a sonda de Bowman com o eixo vertical do ducto nasolacrimal. O conhecimento da anatomia dos canalículos (partes vertical e horizontal) e do saco lacrimal é essencial para evitar a complicação mais temida: a criação de uma falsa via, que pode levar à dacriocistite iatrogênica ou estenose cicatricial permanente.
Anatomicamente, o canalículo superior permite uma trajetória mais retilínea e verticalizada em direção ao saco lacrimal e ao ducto nasolacrimal quando a sonda é rotacionada. Ao utilizar o canalículo superior, o cirurgião consegue evitar a angulação aguda que muitas vezes ocorre ao tentar progredir a sonda a partir do canalículo inferior, reduzindo a tensão mecânica sobre os tecidos delicados da criança.
A maioria dos especialistas recomenda aguardar até os 10-12 meses de idade, pois cerca de 90% das obstruções congênitas do ducto nasolacrimal resolvem-se espontaneamente com massagem de Crigler. Se a epífora e as infecções recorrentes persistirem após o primeiro ano de vida, a sondagem passa a ser o tratamento de escolha, apresentando altas taxas de sucesso nesta faixa etária.
No insucesso de uma primeira sondagem, pode-se tentar uma segunda sondagem após algumas semanas. Se a falha persistir, as opções incluem a intubação da via lacrimal com sonda de silicone ou a dacriocistoplastia por balão. A conjuntivodacriocistorrinostomia (CDCR) é um procedimento de exceção, reservado para casos complexos com ausência total de canalículos, e raramente é a primeira opção após falha de sondagem simples.
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