CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
É um diagnóstico diferencial importante da obstrução congênita do ducto nasolacrimal:
Epífora + fotofobia + buftalmia = Glaucoma Congênito (não apenas obstrução).
Embora a obstrução do ducto nasolacrimal seja a causa mais comum de lacrimejamento no recém-nascido, o glaucoma congênito é o diagnóstico diferencial mais grave que deve ser excluído.
A obstrução congênita do ducto nasolacrimal (OCDN) é uma condição frequente, afetando até 20% dos recém-nascidos. A fisiopatologia envolve a persistência de uma membrana na porção distal do sistema de drenagem. O quadro clínico típico é de lacrimejamento crônico e secreção mucopurulenta intermitente desde as primeiras semanas de vida. O desafio clínico reside em diferenciar a OCDN de condições que ameaçam a visão, como o glaucoma congênito primário. No glaucoma, o aumento da pressão intraocular causa estiramento dos tecidos oculares jovens, levando à buftalmia e estrias de Haab na córnea. O diagnóstico precoce do glaucoma é vital para prevenir a cegueira irreversível, enquanto a OCDN tem um prognóstico excelente com tratamento conservador.
Deve-se suspeitar de glaucoma congênito quando a epífora (lacrimejamento) vem acompanhada da tríade clássica: fotofobia, blefaroespasmo e buftalmia (aumento do globo ocular). Diferente da obstrução nasolacrimal, onde o olho geralmente está calmo e sem dor, no glaucoma há sinais de sofrimento ocular, edema de córnea e aumento do diâmetro corneano (geralmente >12mm no primeiro ano).
A conduta inicial é conservadora na maioria dos casos, consistindo na massagem do saco lacrimal (manobra de Crigler) para aumentar a pressão hidrostática e romper a membrana imperfurada na válvula de Hasner. Cerca de 90% dos casos resolvem-se espontaneamente até o primeiro ano de vida. Antibióticos tópicos são reservados apenas para episódios de secreção purulenta franca.
A válvula de Hasner é uma prega mucosa localizada na extremidade distal do ducto nasolacrimal, onde este desemboca no meato inferior do nariz. A falha na canalização dessa membrana no final da gestação é a causa anatômica da obstrução congênita do ducto nasolacrimal.
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