Obstrução Congênita das Vias Lacrimais: Diagnóstico e Conduta

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Menina, 1 mês de idade, em consulta de puericultura, em aleitamento materno exclusivo, bom ganho de peso, tem queixa de lacrimejamento em olho direito, com acúmulo de secreções. Ao exame tem conjuntiva clara, as pupilas são fotorreagentes, sem fotofobia, acúmulo de muco e lágrimas na pálpebra inferior e pequenas crostas nos cílios. O diagnóstico e a conduta propostos, são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Blefarite do recém-nascido; limpeza com algodão e xampu infantil durante ou após o banho.
  2. B) Conjuntivite química neonatal; limpeza com soro fisiológico e colírio lubrificante 1 gota, 3 vezes ao dia.
  3. C) Obstrução congênita das vias lacrimais excretoras baixas; limpeza de secreções com algodão e água filtrada.
  4. D) Glaucoma congênito; encaminhamento de urgência ao oftalmologista.
  5. E) Dacriocistite congênita crônica; encaminhamento para oftalmologista para resolução cirúrgica.

Pérola Clínica

Lacrimejamento + secreção + conjuntiva clara no RN = Obstrução Congênita das Vias Lacrimais.

Resumo-Chave

A obstrução ocorre geralmente na válvula de Hasner. O manejo inicial é conservador com limpeza e massagem, pois a maioria resolve espontaneamente até 1 ano.

Contexto Educacional

A obstrução congênita das vias lacrimais é uma condição frequente na puericultura, afetando até 20% dos recém-nascidos. O quadro clínico é caracterizado por epífora crônica e secreção purulenta ou mucoide que se acumula no canto medial, muitas vezes confundida com conjuntivite bacteriana. No entanto, a ausência de hiperemia conjuntival é o sinal patognomônico que afasta a infecção primária da superfície ocular. O tratamento baseia-se na orientação familiar para a realização da massagem de Crigler, que visa aumentar a pressão hidrostática no saco lacrimal para romper a obstrução membranosa distal. A maioria dos casos apresenta resolução espontânea, reservando-se a intervenção cirúrgica (sondagem) para casos refratários após o primeiro ano de vida.

Perguntas Frequentes

Qual a causa da obstrução lacrimal no RN?

A causa mais comum é a persistência de uma membrana na porção distal do ducto nasolacrimal, especificamente na válvula de Hasner. Isso impede a drenagem normal da lágrima para o meato inferior do nariz, resultando em epífora e acúmulo de secreção mucoide, sem necessariamente haver inflamação da conjuntiva.

Como diferenciar de glaucoma congênito?

No glaucoma congênito, além do lacrimejamento, o paciente apresenta a tríade clássica: fotofobia, blefaroespasmo e buftalmia (aumento do globo ocular). A córnea pode apresentar edema (aspecto turvo). Na obstrução lacrimal, a conjuntiva é clara, não há fotofobia e o diâmetro corneano é normal.

Quando indicar sondagem das vias lacrimais?

A sondagem é indicada quando não há resolução espontânea com o tratamento conservador (massagem de Crigler e higiene). Geralmente, aguarda-se até os 10-12 meses de vida, pois cerca de 90% dos casos resolvem-se espontaneamente no primeiro ano. Se os sintomas persistirem após esse período, o procedimento cirúrgico é planejado.

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