Obstrução Congênita das Vias Lacrimais: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente de 1 mês trazido pela mãe a seu plantão na UPA refere ter observado que desde os primeiros dias de vida apresenta lacrimejamento aumentada do lado direito. Qual a possível hipóteses diagnostica.

Alternativas

  1. A) Conjuntivites viral.
  2. B) Conjuntivites bacteriana.
  3. C) Obstrução congênita das vias lacrimais.
  4. D) Alergia ao sabonete líquido.

Pérola Clínica

Lactente < 1 ano com epífora unilateral persistente → Obstrução congênita das vias lacrimais (dacrioestenose).

Resumo-Chave

A obstrução congênita das vias lacrimais é comum em lactentes, manifestando-se como epífora (lacrimejamento excessivo) e secreção ocular. A maioria dos casos resolve-se espontaneamente no primeiro ano de vida, com a massagem do saco lacrimal sendo a principal medida inicial.

Contexto Educacional

A obstrução congênita das vias lacrimais, ou dacrioestenose congênita, é uma condição comum que afeta cerca de 6% dos recém-nascidos, sendo a principal causa de epífora (lacrimejamento excessivo) em lactentes. É crucial para o residente reconhecer essa condição para evitar tratamentos desnecessários e orientar adequadamente os pais sobre o prognóstico e manejo. A maioria dos casos é unilateral e se resolve espontaneamente até o primeiro ano de vida. A fisiopatologia envolve a falha na canalização completa do ducto nasolacrimal, geralmente na válvula de Hasner, localizada na sua extremidade distal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de lacrimejamento persistente desde as primeiras semanas de vida, muitas vezes acompanhado de secreção mucopurulenta. É importante diferenciar de conjuntivites, que geralmente apresentam hiperemia conjuntival mais proeminente e não são crônicas desde o nascimento. O tratamento inicial é conservador, com massagem hidrostática do saco lacrimal, que visa romper a obstrução. Em casos de dacriocistite (infecção do saco lacrimal), colírios antibióticos são indicados. Se a obstrução persistir após 6 a 12 meses, ou em casos de infecções recorrentes, procedimentos como a sondagem do ducto nasolacrimal podem ser necessários, com altas taxas de sucesso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de obstrução congênita das vias lacrimais em bebês?

Os sinais incluem lacrimejamento excessivo e persistente (epífora), secreção ocular mucopurulenta, e, em casos de infecção secundária, vermelhidão e inchaço na região do saco lacrimal. Geralmente é unilateral.

Qual a conduta inicial para dacrioestenose congênita?

A conduta inicial é a massagem do saco lacrimal, realizada várias vezes ao dia, para aumentar a pressão hidrostática e tentar romper a membrana que obstrui o ducto nasolacrimal. Colírios antibióticos podem ser usados em caso de dacriocistite.

Quando considerar intervenção cirúrgica na obstrução das vias lacrimais em lactentes?

A intervenção cirúrgica, como a sondagem do ducto nasolacrimal, é geralmente considerada se a obstrução persistir após 6 a 12 meses de vida, ou se houver episódios recorrentes de dacriocistite, após falha do tratamento conservador.

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