HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
Embora a obstrução congênita das vias lacrimais excretoras (OCVLE) seja significativamente mais frequente que outras causas de acúmulo da lágrima nos lactentes, sinais e sintomas associados podem sugerir outros diagnósticos. Sobre essa temática, tão comum no consultório pediátrico, é mais correto afirmar que:
Obstrução distal (Válvula de Hasner) → Epífora + Refluxo mucoide/purulento à compressão.
A OCVLE ocorre geralmente por imperfuração da válvula de Hasner; a estase no saco lacrimal predispõe ao acúmulo de secreção e refluxo retrógrado.
A obstrução congênita das vias lacrimais (OCVLE) é a causa mais comum de lacrimejamento crônico na infância, afetando até 20% dos recém-nascidos. A fisiopatologia envolve a persistência de uma membrana na extremidade distal do ducto nasolacrimal. Clinicamente, manifesta-se por epífora (lacrimejamento excessivo) e acúmulo de material mucoide ou purulento nos cílios, especialmente após o sono. É fundamental que o pediatra realize a compressão da região do saco lacrimal para observar o refluxo de material, o que confirma a obstrução distal. O diagnóstico diferencial com conjuntivites e, principalmente, com o glaucoma congênito é vital, dado que este último exige intervenção cirúrgica imediata para evitar cegueira. A maioria dos casos resolve-se com medidas conservadoras, mas o acompanhamento é necessário para identificar complicações como a dacriocistite aguda.
O local mais frequente de obstrução congênita das vias lacrimais é a porção terminal do ducto nasolacrimal, especificamente na sua abertura no meato inferior do nariz. Esta região é protegida pela Válvula de Hasner, uma prega mucosa que normalmente se torna pérfia pouco antes ou logo após o nascimento. Quando ocorre uma falha na canalização dessa membrana, há um bloqueio mecânico ao fluxo da lágrima. Isso resulta em estase retrógrada no saco lacrimal, o que clinicamente se manifesta como epífora (lacrimejamento) e, frequentemente, acúmulo de secreção mucoide ou purulenta devido à proliferação bacteriana no fluido estagnado.
A diferenciação é vital, pois o glaucoma congênito é uma emergência que ameaça a visão. O glaucoma apresenta-se com a tríade clássica: epífora, fotofobia e blefaroespasmo (fechamento involuntário das pálpebras). O lactente com glaucoma também pode apresentar buftalmia (olho aumentado) e córnea opaca/edemaciada. Já na OCVLE, o lactente apresenta lacrimejamento crônico e secreção, mas o olho é tipicamente 'calmo' (branco), sem fotofobia ou blefaroespasmo. A presença de fotofobia em um bebê com lacrimejamento deve sempre levantar a suspeita imediata de glaucoma e motivar encaminhamento urgente ao oftalmologista.
A conduta inicial na maioria dos casos de OCVLE é conservadora, baseada na alta taxa de resolução espontânea (cerca de 90% no primeiro ano). Recomenda-se a Manobra de Crigler, que consiste na massagem vigorosa sobre o saco lacrimal (canto interno do olho) em direção descendente. O objetivo é aumentar a pressão hidrostática dentro do sistema excretor para romper a membrana obstrutiva na Válvula de Hasner. Antibióticos tópicos são reservados apenas para episódios de conjuntivite secundária ou dacriocistite aguda. Se não houver resolução após os 12 meses de idade, procedimentos como a sondagem das vias lacrimais são indicados.
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