SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 65 anos de idade, com histórico de constipação crônica e perda de peso de 5 kg nos últimos quatro meses, procurou atendimento médico em razão de estar apresentando, há uma semana, dor abdominal difusa, distensão abdominal progressiva e vômitos. Negou fezes há três dias. Tem antecedentes de hipertensão arterial controlada colecistectomia há 15 anos. A radiografia abdominal evidenciou distensão difusa de cólon e ausência de gás no reto. Quanto a esse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento de escolha:
Idoso + Perda de peso + Obstrução intestinal baixa → Câncer de cólon até que se prove o contrário.
A tríade de perda ponderal, alteração do hábito intestinal e quadro obstrutivo agudo em idosos sugere fortemente etiologia neoplásica, exigindo intervenção cirúrgica imediata.
A obstrução intestinal em idosos é frequentemente causada por neoplasias, sendo o cólon esquerdo o sítio mais comum de obstrução por adenocarcinoma. O quadro clínico de dor, distensão e parada de eliminação de gases e fezes, associado a sintomas constitucionais como perda de peso, direciona o diagnóstico para malignidade. A radiografia de abdome é o exame inicial para confirmar a obstrução, mas a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste é o padrão-ouro para localizar o ponto de transição, identificar a causa e avaliar complicações como pneumoperitônio ou sofrimento de alça. O tratamento definitivo é cirúrgico, visando a ressecção do segmento acometido.
Na radiografia de abdome agudo, a obstrução colônica manifesta-se como distensão periférica das alças intestinais, com presença de haustrações que, diferentemente das válvulas coniventes do intestino delgado, não cruzam toda a luz da alça. A ausência de gás no reto é um sinal importante de obstrução mecânica completa. Se a válvula ileocecal for competente, pode haver uma distensão massiva do ceco, aumentando o risco de perfuração (lei de Laplace).
A cirurgia é indicada para resolver a obstrução mecânica aguda, que oferece risco iminente de isquemia e perfuração intestinal. Além de desobstruir o trato digestivo, o procedimento permite a ressecção do tumor primário, servindo como parte do tratamento oncológico e permitindo o estadiamento histopatológico. Em casos de obstrução à esquerda, pode-se optar pela cirurgia de Hartmann ou ressecção com anastomose primária, dependendo das condições do paciente.
A obstrução mecânica geralmente apresenta dor abdominal em cólica e ruídos hidroaéreos aumentados com timbre metálico (luta), além de uma imagem radiológica com 'stop' nítido. Já o íleo paralítico (ou funcional) caracteriza-se por dor vaga, distensão abdominal difusa, ausência ou redução acentuada de ruídos hidroaéreos e distensão gasosa uniforme tanto de intestino delgado quanto de cólon e reto no RX.
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