FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2018
Gestante de 17 anos de idade, com 34 semanas apresentou quadro de crise convulsiva em via pública. A cerca de 100m do ocorrido havia uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que a socorreu. A gestante estava sem acompanhante e sem cartão pré-natal. Contudo, foi atendida com medidas básicas de suporte à vida e medicada com uma ampola de diazepan intramuscular. A seguir foi solicitada a transferência para maternidade referência da região, fato que ocorreu três horas após a entrada da usuária na UPA. Ao chegar à maternidade a gestante encontrava-se comatosa, hipertensa (PA de 180x110mmHg) em anasarca, necessitando de suporte intensivo. O feto encontrava-se vivo, com bradicardia (100bpm). A equipe optou por iniciar sulfato de magnésio e hidralazina endovenosa, além de solicitar exames para avaliação da gravidade do quadro. Foi realizada uma cesariana e logo após a paciente foi encaminhada para a unidade de tratamento intensivo, entretanto evoluiu para óbito cinco dias após o parto, pois apresentou um quadro de hemorragia intracraniana. O recém-nascido necessitou de cuidados intensivos e recebeu alta 14 dias após o nascimento, sob cuidados da avó materna. O fato descrito aborda um dos indicadores de saúde que reflete a realidade socioeconômica e a qualidade de vida da população. Uma das estratégias que o Ministério da Saúde vem adotando para dar visibilidade a essa situação de saúde das mulheres é a discussão dos casos de óbito materno nos Comitês de Mortalidade Materna Municipais. Tendo como base o que foi apresentado, esse óbito deverá ser classificado no Comitê de Óbito Materno como:
Óbito materno por complicação obstétrica direta (ex: eclâmpsia, hemorragia) = óbito materno direto.
Óbito materno direto é aquele resultante de complicações obstétricas da gravidez, parto ou puerpério, ou de suas intervenções, omissões ou tratamento incorreto. A eclâmpsia e suas complicações, como a hemorragia intracraniana, são causas clássicas de óbito materno direto.
A mortalidade materna é um grave problema de saúde pública e um importante indicador da qualidade da assistência à saúde da mulher. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define óbito materno como a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração e local da gravidez, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela, mas não por causas acidentais ou incidentais. Os óbitos maternos são classificados em diretos, indiretos e não maternos. O óbito materno direto ocorre por complicações obstétricas da gravidez, parto ou puerpério, ou por intervenções, omissões, tratamento incorreto ou uma cadeia de eventos resultantes dessas causas. No caso descrito, a gestante apresentou eclâmpsia (crise convulsiva + hipertensão) e evoluiu com hemorragia intracraniana, uma complicação grave e direta da doença hipertensiva específica da gestação. A discussão desses casos em Comitês de Mortalidade Materna é crucial para analisar as circunstâncias do óbito, identificar falhas na assistência (como atraso no atendimento, diagnóstico ou tratamento inadequado) e propor medidas para prevenir futuras mortes. A hemorragia intracraniana como complicação da eclâmpsia é uma causa clássica de óbito materno direto, reforçando a necessidade de um pré-natal adequado e manejo rápido e eficaz das síndromes hipertensivas na gravidez.
Óbito materno direto é aquele resultante de complicações obstétricas da gravidez, parto ou puerpério (até 42 dias após o término da gestação), ou de intervenções, omissões, tratamento incorreto ou de uma cadeia de eventos resultantes de qualquer uma dessas causas.
As principais causas incluem hemorragias (pós-parto, abortamento), distúrbios hipertensivos da gravidez (pré-eclâmpsia, eclâmpsia), infecções (sepse puerperal) e aborto inseguro.
Os Comitês de Mortalidade Materna são fundamentais para investigar cada caso de óbito materno, identificar as causas evitáveis, propor intervenções e monitorar os indicadores de saúde, visando reduzir a mortalidade materna.
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