Óbito Materno: Critérios de Investigação em Saúde Pública

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Mulher, 29 anos, branca, solteira, moradora de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico, diagnosticado há 7 anos; com nefrite lúpica, em hemodiálise. Internou referindo febre não aferida, cansaço, dispneia e tosse seca (ocasionalmente produtiva), há 10 dias. História de internação no mês anterior por pneumonia, quando foi diagnosticada tuberculose pulmonar. Evoluiu com instabilidade hemodinâmica e choque, vindo a falecer no 5º dia de internação. A Secretaria Municipal de Saúde solicitou uma investigação do óbito, no caso anterior, por se tratar de:

Alternativas

  1. A) mulher em idade fértil.
  2. B) causa indeterminada.
  3. C) doença de notificação compulsória.
  4. D) reinternação em menos de 30 dias.

Pérola Clínica

Óbito de mulher em idade fértil (10-49 anos) → sempre investigar como potencial óbito materno.

Resumo-Chave

A investigação de óbitos de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) é uma diretriz fundamental em saúde pública, pois permite identificar e classificar óbitos maternos, que são eventos sentinela importantes para a qualidade da assistência à saúde da mulher.

Contexto Educacional

A investigação de óbitos é uma ferramenta essencial da vigilância epidemiológica, fornecendo dados cruciais para a formulação de políticas públicas e a melhoria da qualidade da assistência à saúde. No contexto da saúde da mulher, a investigação de óbitos de mulheres em idade fértil (MIF), geralmente definida entre 10 e 49 anos, é uma prioridade. Essa diretriz visa identificar e classificar corretamente os óbitos maternos, que são considerados eventos sentinela e refletem diretamente as condições de saúde e o acesso aos serviços de saúde para essa população. Um óbito materno é definido como a morte de uma mulher durante a gestação ou em até 42 dias após o término da gestação, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por sua condução, excluindo causas acidentais ou incidentais. A investigação desses óbitos permite analisar as circunstâncias que levaram à morte, identificar falhas na assistência, fatores de risco e oportunidades de intervenção para prevenir futuras mortes. Mesmo que a causa inicial do óbito não pareça diretamente obstétrica, como no caso de uma doença crônica ou infecciosa, a investigação é mandatória para mulheres em idade fértil. Isso porque a gestação ou o puerpério podem agravar condições preexistentes ou levar a complicações que, se não manejadas adequadamente, resultam em óbito. Residentes devem estar cientes da importância dessa vigilância para contribuir com a redução da mortalidade materna e a promoção da saúde da mulher.

Perguntas Frequentes

Por que óbitos de mulheres em idade fértil são investigados?

Óbitos de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) são investigados para identificar e classificar óbitos maternos, que são indicadores cruciais da qualidade da assistência à saúde e da condição de vida das mulheres.

Qual a definição de óbito materno?

Óbito materno é a morte de uma mulher durante a gestação ou em até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração e do local da gravidez, por qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas a ela tomadas, mas não por causas acidentais ou incidentais.

Quais as principais causas de óbito materno no Brasil?

As principais causas de óbito materno no Brasil incluem hipertensão gestacional (pré-eclâmpsia/eclâmpsia), hemorragias, infecções (sepsis), aborto inseguro e complicações do parto e puerpério.

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