Óbito Fetal Recorrente: Manejo na Gravidez

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Secundigesta de 5 semanas, 32 anos de idade, em consulta pré-natal de rotina, informa ao obstetra que teve óbito fetal com 37 semanas na gestação anterior. Nega antecedentes clínicos importantes. O exame físico atual é compatível com o tempo gestacional, a PA: 90 x 60 mmHg e o IMC: 28 kg/m². Está indicado:

Alternativas

  1. A) Heparina subcutânea e aspirina 100 mg ao dia a partir de 14 semanas, cesárea eletiva com 37 semanas.
  2. B) Dieta rica em cálcio, aspirina 50 mg dia, aguardar parto espontâneo até 39 semanas.
  3. C) Heparina de baixo peso molecular a partir de agora, monitoração de vitalidade fetal desde 24 semanas e antecipação do parto com 37 semanas.
  4. D) Ácido fólico, monitorar vitalidade fetal de modo rigoroso após 32 semanas e discutir indução de parto com 39 semanas.
  5. E) Pesquisar trombofilias adquiridas, aspirina 50 mg ao dia e cardiotocografia semanal após 28 semanas.

Pérola Clínica

Óbito fetal prévio → gestação de alto risco, exige investigação e monitorização fetal rigorosa.

Resumo-Chave

Uma história de óbito fetal anterior, especialmente a termo, eleva o risco de recorrência. A investigação de trombofilias é fundamental, mas a monitorização rigorosa da vitalidade fetal e a antecipação do parto são medidas essenciais para prevenir um novo evento.

Contexto Educacional

O óbito fetal é a perda gestacional após 20 semanas de gestação. Uma história prévia de óbito fetal é um dos mais importantes fatores de risco para recorrência em gestações subsequentes, elevando o risco em 2 a 10 vezes. Essas gestações são classificadas como de alto risco e exigem um manejo pré-natal diferenciado e intensivo. A investigação da causa do óbito fetal anterior é crucial para guiar o manejo da gestação atual. As causas podem incluir trombofilias (hereditárias ou adquiridas como a Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo - SAF), insuficiência placentária, restrição de crescimento intrauterino, infecções e anomalias congênitas. A pesquisa de trombofilias adquiridas é fundamental. O manejo inclui monitorização rigorosa da vitalidade fetal a partir do terceiro trimestre (ou antes, dependendo do caso), com exames como cardiotocografia, perfil biofísico e dopplerfluxometria. A antecipação do parto, geralmente entre 37 e 38 semanas, é frequentemente considerada para evitar a recorrência do óbito fetal, especialmente se a causa não foi totalmente elucidada ou se há fatores de risco persistentes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de óbito fetal?

As causas são multifatoriais e incluem insuficiência placentária, restrição de crescimento intrauterino, anomalias congênitas, infecções, trombofilias maternas, diabetes e hipertensão não controladas, e causas idiopáticas.

Quando iniciar a monitorização da vitalidade fetal em gestações de alto risco?

Em gestações de alto risco, a monitorização da vitalidade fetal (cardiotocografia, perfil biofísico, dopplerfluxometria) geralmente é iniciada entre 28 e 32 semanas, dependendo do fator de risco e da história obstétrica.

Qual o papel da aspirina e heparina na prevenção de óbito fetal?

Aspirina em baixa dose e heparina de baixo peso molecular são indicadas em casos de trombofilias adquiridas (como SAF) ou hereditárias de alto risco, ou em pacientes com história de óbito fetal recorrente sem causa definida, para melhorar a perfusão placentária e prevenir tromboses.

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