Óbito Fetal: Conduta, Indução do Parto e Protocolo SPIKES

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta, 40 anos de idade, na 38ª semana, sem comorbidades, vai ao pronto-socorro de Obstetrícia encaminhada da UBS em que realiza o pré-natal devido a dificuldade para auscultar os batimentos cardíacos fetais. Paciente assintomática, refere movimentação fetal presente pela manhã. Ao exame físico, altura uterina de 33 cm, BCF ausente, movimentação fetal ausente. Ao realizar o Point of Care Ultrassound não se identificam os batimentos cardíacos fetais, nem movimentação fetal ou fluxo sanguíneo em vasos umbilicais. A conduta mais adequada após a comunicação da má notícia seguindo o protocolo de Spikes deverá ser:

Alternativas

  1. A) conduta expectante por até 4 semanas, com retomo semanal para exames.
  2. B) aguardar 40 semanas para realizar o parto cesáreo.
  3. C) realizar parto cesáreo nas próximas horas.
  4. D) indução de parto com misoprostol 200 mcg a cada 6 horas.

Pérola Clínica

Óbito fetal > 20 semanas: após comunicação (SPIKES), indução do parto vaginal é preferível; conduta expectante é opção com monitorização.

Resumo-Chave

Após a confirmação de óbito fetal e a comunicação da má notícia seguindo o protocolo SPIKES, a indução do parto vaginal é a conduta mais comum. No entanto, a conduta expectante, com monitorização para coagulopatia, é uma opção válida e segura por um período limitado, permitindo à paciente tempo para processar a perda e escolher o momento do parto.

Contexto Educacional

O óbito fetal intrauterino é uma das experiências mais devastadoras para uma família e um desafio significativo para a equipe de saúde. A incidência varia, mas é uma complicação grave que exige um manejo cuidadoso e empático. A comunicação da má notícia é um momento crítico, e o uso de protocolos como o SPIKES (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Empathy, Strategy) pode auxiliar os profissionais a abordar o tema de forma mais humana e eficaz. A fisiopatologia do óbito fetal pode ser multifatorial, incluindo causas maternas (hipertensão, diabetes, infecções), fetais (malformações, restrição de crescimento) e placentárias (insuficiência, descolamento). Após a confirmação do óbito, o corpo materno geralmente inicia o processo de trabalho de parto espontaneamente, mas a indução é frequentemente necessária. O tratamento visa a remoção do feto de forma segura para a mãe, preferencialmente por via vaginal. A conduta expectante, embora menos comum em gestações a termo, é uma opção que deve ser discutida com a paciente, considerando seu estado emocional e o risco de complicações. O prognóstico materno é geralmente bom, mas o impacto psicológico da perda fetal é profundo e requer suporte contínuo.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial após a confirmação de óbito fetal intrauterino?

Após a confirmação do óbito fetal, a primeira etapa é comunicar a má notícia à paciente e sua família de forma empática, preferencialmente utilizando um protocolo como o SPIKES, e discutir as opções de manejo do parto.

Quais são as opções de manejo do parto após óbito fetal?

As principais opções são a indução do parto vaginal (geralmente com misoprostol ou ocitocina) ou a conduta expectante, permitindo que o trabalho de parto inicie espontaneamente, com monitorização para complicações como coagulopatia. A cesariana é reservada para indicações maternas.

Qual o risco da conduta expectante prolongada após óbito fetal?

O principal risco da conduta expectante prolongada (geralmente após 2-3 semanas de retenção do feto morto) é o desenvolvimento de coagulopatia materna, como a coagulação intravascular disseminada (CID), devido à liberação de tromboplastina tecidual pelo feto em degeneração.

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