Óbito Fetal Intrauterino: Manejo e Indução do Parto

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Tercigesta com dois partos vaginais anteriores, idade gestacional de 28 semanas, sem comorbidades diagnosticadas durante o pré-natal, procura o pronto atendimento relatando que há 7 dias não percebe movimentação fetal. Paciente nega dor ou sangramento genital. Ao exame físico foi diagnosticado quadro de óbito fetal intrauterino, apresentação pélvica e tônus uterino normal. Peso materno: 58 Kg, pressão arterial: 120 x 70 mmHg. O toque vaginal apresenta colo uterino amolecido, grosso, posterior e fechado. Ultrassonografia apresenta peso estimado fetal de 1205 g (percentil 30% para idade gestacional). Solicitado coagulograma. Qual é a conduta mais adequada considerando que a paciente não deseja conduta expectante?

Alternativas

  1. A) Induzir o parto com ocitocina visto a multiparidade da paciente caso o coagulograma esteja normal.
  2. B) Realizar cesárea para preservação materna caso o coagulograma diagnostique descolamento prematuro de placenta.
  3. C) Induzir o parto com misoprostol visto colo desfavorável caso o coagulograma esteja normal.
  4. D) Realizar cesárea visto a apresentação pélvica do feto independente do resultado do coagulograma.
  5. E) Induzir o parto com balão cervical visto colo desfavorável caso o coagulograma esteja normal.

Pérola Clínica

Óbito fetal + colo desfavorável → Misoprostol para indução, após coagulograma normal.

Resumo-Chave

Em caso de óbito fetal intrauterino com colo uterino desfavorável (Bishop baixo) e ausência de contraindicações, o misoprostol é a droga de escolha para indução do parto, independentemente da paridade. A avaliação do coagulograma é crucial devido ao risco de coagulopatia de consumo.

Contexto Educacional

O óbito fetal intrauterino (OFIU) é a morte do feto após 20 semanas de gestação, antes do parto. É uma complicação devastadora para a família e exige manejo cuidadoso. A incidência varia, mas é um evento significativo na obstetrícia, com causas multifatoriais. O diagnóstico é feito pela ausência de batimentos cardíacos fetais na ultrassonografia. A fisiopatologia pode envolver insuficiência placentária, infecções, anomalias fetais ou maternas. A conduta depende da idade gestacional, condições do colo uterino e desejo materno. O Bishop score é fundamental para avaliar o colo, indicando se ele está favorável ou desfavorável para a indução. A presença de um colo desfavorável direciona a escolha do método de indução. O manejo pode ser expectante ou ativo. Em casos de OFIU, a indução do parto é frequentemente preferida. Se o colo é desfavorável (Bishop baixo), o misoprostol é a primeira escolha para amadurecimento cervical e indução. O coagulograma é essencial devido ao risco de coagulopatia de consumo, especialmente em casos de retenção prolongada. A cesárea é reservada para complicações maternas ou falha na indução.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores que influenciam a escolha do método de indução em óbito fetal?

A escolha do método de indução em óbito fetal é influenciada principalmente pela idade gestacional, pelas condições do colo uterino (Bishop score) e pela presença de comorbidades maternas, como coagulopatias. O desejo materno também é um fator importante.

Por que o misoprostol é preferível à ocitocina em casos de colo desfavorável?

O misoprostol é preferível à ocitocina em casos de colo desfavorável porque, além de induzir contrações uterinas, ele promove o amadurecimento cervical, tornando o colo mais favorável ao parto. A ocitocina é mais eficaz quando o colo já está amadurecido.

Qual a importância do coagulograma no manejo do óbito fetal?

O coagulograma é fundamental no manejo do óbito fetal devido ao risco de coagulopatia de consumo (CID), que pode se desenvolver após a retenção prolongada do feto morto. A avaliação da coagulação é crucial antes da indução do parto para garantir a segurança materna.

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