UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 22a, G2P1FV0, vem para primeira consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde, assintomática. Idade gestacional pela amenorreia: 6 semanas. Antecedente Pessoal: óbito fetal com 32 semanas sem causa conhecida, nega patologias crônicas e nega uso de substâncias psicoativas. Questiona sobre riscos desta gestação e se deverá fazer algo diferente. EM RELAÇÃO ÀS DÚVIDAS DA PACIENTE, ASSINALE A RESPOSTA CORRETA:
Óbito fetal prévio sem causa → Gestação de alto risco → Investigar trombofilias (hereditárias e adquiridas).
Um óbito fetal prévio sem causa conhecida, especialmente em idade gestacional avançada (32 semanas), classifica a gestação atual como de alto risco. A investigação de trombofilias (hereditárias e adquiridas, como a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide) é fundamental, pois são causas importantes de perdas gestacionais tardias.
O óbito fetal é uma das experiências mais devastadoras para uma família e representa um desafio diagnóstico e terapêutico para a equipe de saúde. A ocorrência de um óbito fetal prévio, especialmente quando inexplicado e em idade gestacional avançada (após 20 semanas), eleva automaticamente a gestação subsequente para a categoria de alto risco. Isso exige um acompanhamento pré-natal diferenciado e uma investigação aprofundada para identificar possíveis causas e prevenir a recorrência. Entre as causas mais importantes de óbito fetal inexplicado e perdas gestacionais recorrentes estão as trombofilias, tanto hereditárias (como a mutação do Fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina, deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S) quanto adquiridas (principalmente a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide - SAF). Essas condições aumentam o risco de trombose na circulação uteroplacentária, comprometendo o fluxo sanguíneo e a nutrição fetal. A investigação de trombofilias deve ser realizada fora da gestação ou, se na gestação, com interpretação cuidadosa dos resultados devido às alterações fisiológicas da gravidez. Se uma trombofilia for diagnosticada, a conduta pode incluir a profilaxia com heparina de baixo peso molecular e/ou aspirina em gestações futuras, dependendo do tipo de trombofilia e do histórico obstétrico. O acompanhamento multidisciplinar e a vigilância fetal intensificada são essenciais para otimizar o desfecho da gestação.
Um óbito fetal prévio, especialmente em idade gestacional avançada, indica um risco aumentado de recorrência em gestações futuras. A ausência de causa conhecida exige uma investigação aprofundada para identificar fatores de risco subjacentes que possam ser prevenidos ou tratados.
Devem ser investigadas tanto as trombofilias hereditárias (ex: Fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina, deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S) quanto as adquiridas, principalmente a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF), que é uma causa importante de perdas gestacionais.
As trombofilias aumentam o risco de eventos tromboembólicos na mãe e de complicações obstétricas, como pré-eclâmpsia grave, restrição de crescimento fetal, descolamento prematuro de placenta e óbito fetal. A identificação permite a implementação de medidas profiláticas, como anticoagulação, para melhorar o prognóstico gestacional.
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