IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Célia, 32 anos, com 35 semanas de idade gestacional, assintomática. Fez ultrassonografia com diagnóstico de feto morto com biometria de 33 semanas de idade gestacional. Antecedente de cesariana em 2018 por feto em apresentação pélvica. Exame físico: PA 120x70 mmHg, fundo uterino 33 cm, batimentos cardíacos fetais ausentes, tônus uterino normal. Toque com colo fechado, grosso e posterior. Qual a conduta obstétrica recomendada?
Óbito fetal + colo imaturo + cesariana prévia → indução mecânica com sonda Foley é a conduta mais segura.
Em caso de óbito fetal com colo uterino desfavorável (fechado, grosso e posterior) e antecedente de cesariana, a indução mecânica do parto com sonda de Foley (balão de Krause) é a conduta preferencial. Isso minimiza o risco de ruptura uterina associado a agentes farmacológicos como o misoprostol em pacientes com cicatriz uterina.
O óbito fetal é uma complicação devastadora na gestação, exigindo manejo obstétrico cuidadoso e humanizado. A decisão sobre a via de parto deve considerar a idade gestacional, as condições cervicais, o histórico obstétrico materno e a preferência da paciente. A epidemiologia do óbito fetal varia, mas é um evento que impacta profundamente a família e a equipe de saúde. A fisiopatologia do óbito fetal pode ser multifatorial, incluindo causas maternas, fetais e placentárias. No caso apresentado, a paciente tem colo uterino desfavorável (Bishop score baixo) e antecedente de cesariana. A indução do parto é a conduta de escolha na maioria dos casos de óbito fetal, mas a presença de uma cicatriz uterina prévia restringe as opções farmacológicas. Agentes como o misoprostol são contraindicados devido ao risco de ruptura uterina. O tratamento para óbito fetal é a esvaziamento uterino, preferencialmente por via vaginal. A sonda Foley (balão de Krause) é um método mecânico seguro e eficaz para o amadurecimento cervical em pacientes com cesariana prévia, promovendo a dilatação sem contrações uterinas excessivas. O prognóstico para a paciente é de recuperação física, mas o suporte psicológico é fundamental. Pontos de atenção incluem a avaliação cuidadosa do colo e do histórico para escolher o método de indução mais seguro.
O uso de misoprostol em gestantes com cesariana prévia aumenta significativamente o risco de ruptura uterina devido à sua ação potente de contração uterina, sendo geralmente contraindicado para indução do parto nesses casos.
A sonda Foley é preferível porque é um método de indução mecânica que promove o amadurecimento cervical sem estimular contrações uterinas intensas, reduzindo o risco de ruptura uterina em pacientes com cicatriz prévia.
A cesariana para óbito fetal é geralmente reservada para situações de emergência obstétrica que contraindiquem o parto vaginal, como placenta prévia com sangramento ativo, ou quando a indução falha e há risco materno. Não é a primeira escolha em óbito fetal isolado.
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