SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 52 anos de idade, obeso e hipertenso, procurou o pronto-socorro com dor intensa e edema no primeiro pododáctilo do pé direito, iniciada há dois dias. Refere episódios semelhantes no passado, mas com menor intensidade. Ao exame físico apresenta FC = 88 bpm, FR 16 irpm, SatO2 = 98%. A articulação acometida tem presença de calor, rubor e limitação funcional importante. O exame de laboratório revelou ácido úrico 8,5 mg/dL, leucócitos 11.000/mm², VHS = 35 mm/h. Com base nesse caso clínico, qual é o diagnóstico mais provável?
Podagra + Hiperuricemia + Início súbito → Gota aguda (Artrite por Urato Monossódico).
A gota é uma artropatia por cristais caracterizada por episódios de inflamação aguda, frequentemente no primeiro pododáctilo, associada a níveis elevados de ácido úrico e resposta inflamatória sistêmica.
A gota é a causa mais comum de artrite inflamatória em homens acima de 40 anos. Resulta da deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos moles, geralmente precedida por anos de hiperuricemia assintomática. Fatores de risco incluem obesidade, hipertensão, consumo de álcool e dieta rica em purinas.\n\nO quadro clínico clássico é a monoartrite súbita e excruciante, atingindo o pico em 12-24 horas. Embora a primeira articulação metatarsofalângica seja o local mais comum, tornozelos e joelhos também são frequentemente afetados. O manejo crônico foca na redução dos níveis de ácido úrico abaixo de 6 mg/dL para prevenir novas crises e formação de tofos.
A diferenciação clínica pode ser difícil, pois ambas apresentam sinais flogísticos intensos. A artrite séptica geralmente envolve febre alta e calafrios, enquanto a gota tem predileção pelo primeiro pododáctilo (podagra). O padrão-ouro é a análise do líquido sinovial: cristais de urato com birrefringência negativa confirmam gota, enquanto a presença de bactérias no Gram ou cultura confirma artrite séptica.
Não necessariamente. Durante uma crise aguda de gota, os níveis séricos de ácido úrico podem estar normais ou até baixos em até 30% dos pacientes, devido à deposição do cristal nos tecidos ou aumento da excreção renal mediada por citocinas inflamatórias. O diagnóstico é eminentemente clínico ou baseado na microscopia do líquido sinovial.
O tratamento inicial visa a redução da inflamação e dor. As opções de primeira linha incluem Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs), Colchicina ou Corticosteroides (sistêmicos ou intra-articulares). A escolha depende das comorbidades do paciente, como função renal e histórico de úlcera péptica. O alopurinol não deve ser iniciado nem suspenso durante a fase aguda.
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