UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Paciente de 30 anos foi encaminhada ao Serviço de Endocrinologia por pretender submeter-se a uma cirurgia bariátrica. Informou que seu peso usual era de 65 kg e que havia ganhado 40 kg nos últimos 5 anos. Por ocasião da consulta, o peso era de 105 kg e a altura de 162 cm (IMC de 40 kg/m²). Todos os achados abaixo levam à suspeita de causa secundária de obesidade, exceto um. Assinale-o.
Obesidade secundária: suspeitar com ganho rápido/atípico + sinais/sintomas endócrinos (ex: fraqueza proximal, hipoglicemia, estrias violáceas).
A maioria dos casos de obesidade é primária (poligênica e ambiental), mas é crucial identificar causas secundárias, especialmente em pacientes com ganho de peso atípico ou acompanhado de outros sinais e sintomas endócrinos. Estrias claras e finas são comuns na obesidade primária, enquanto estrias largas e violáceas sugerem Cushing.
A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e a grande maioria dos casos é de etiologia primária, resultante da interação entre fatores genéticos e ambientais. No entanto, é fundamental que o médico residente esteja apto a identificar e investigar causas secundárias de obesidade, que, embora menos comuns, são potencialmente tratáveis e podem apresentar manifestações clínicas específicas que as diferenciam da obesidade primária. A suspeita deve surgir em casos de ganho de peso rápido, atípico ou associado a outros sintomas. As causas secundárias incluem distúrbios endócrinos como a Síndrome de Cushing (caracterizada por obesidade central, fraqueza muscular proximal, estrias violáceas, hipertensão e osteoporose), hipotireoidismo (ganho de peso mais modesto, fadiga, intolerância ao frio), deficiência de hormônio do crescimento, e tumores como o insulinoma (que causa hipoglicemia de jejum com sintomas adrenérgicos e neuroglicopênicos, levando ao aumento da ingestão calórica e ganho de peso). O uso de certos medicamentos, como glicocorticoides, antipsicóticos e alguns antidepressivos, também pode induzir ganho de peso significativo. O diagnóstico diferencial é crucial e baseia-se na história clínica detalhada, exame físico minucioso e exames laboratoriais específicos para cada suspeita. No caso da questão, estrias claras e finas são um achado comum na obesidade primária devido à distensão da pele, não indicando uma causa secundária, ao contrário das estrias violáceas e largas da Síndrome de Cushing. A identificação precoce dessas condições secundárias permite um tratamento direcionado e melhora significativa na qualidade de vida do paciente.
Sinais de alerta incluem ganho de peso rápido e atípico, obesidade de distribuição central com membros finos, fraqueza muscular proximal, hipertensão de difícil controle, hirsutismo, irregularidades menstruais, hipoglicemia inexplicável, estrias largas e violáceas, e osteoporose em idade jovem.
A Síndrome de Cushing causa obesidade central (tronco, face), com acúmulo de gordura na nuca ('corcova de búfalo') e face ('lua cheia'). Outras manifestações incluem fraqueza muscular proximal, estrias violáceas e largas, hipertensão, diabetes e osteoporose, todas indicativas de excesso de cortisol.
Hipoglicemia de jejum, especialmente acompanhada de sintomas neuroglicopênicos e autonômicos (palpitações, sudorese), pode ser um sinal de insulinoma, um tumor produtor de insulina. O excesso de insulina pode levar ao ganho de peso e à obesidade, tornando-o uma causa secundária a ser investigada.
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