Indicações de Cirurgia Bariátrica: Critérios de Gravidade

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Homem, 35 anos de idade, foi encaminhado ao Ambulatório de Cirurgia para tratamento de obesidade. Relata ganho de peso nos últimos 8 anos, tendo iniciado tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2 e de hipertensão arterial no mesmo período. Refere, também, dificuldade para deambulação e dor nas articulações dos membros inferiores. Ao exame físico, peso: 120kg, altura: 1,70m, circunferência abdominal: 150cm. Abdome globoso às custas de panículo adiposo, aparelho respiratório e cardíaco sem alterações; De acordo com os dados do caso clínico, indique o diagnóstico, especificando a classificação de gravidade, que recomenda o tratamento cirúrgico para esse paciente.

Alternativas

Pérola Clínica

Indicação cirúrgica: IMC ≥ 40 kg/m² OU IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades graves (DM2, HAS, apneia).

Resumo-Chave

O paciente apresenta Obesidade Grau III (IMC 41,5), o que por si só já indica tratamento cirúrgico, reforçado pela presença de DM2 e HAS de difícil controle.

Contexto Educacional

A obesidade é uma doença crônica e progressiva com impacto sistêmico. O tratamento cirúrgico, ou cirurgia bariátrica e metabólica, visa não apenas a redução ponderal, mas principalmente a remissão de comorbidades metabólicas. O paciente do caso, com IMC de 41,5 kg/m², enquadra-se na Obesidade Grau III. Além do peso, a circunferência abdominal de 150cm e a presença de DM2 e HAS evidenciam uma síndrome metabólica grave, onde a cirurgia oferece benefícios superiores ao tratamento clínico isolado em termos de longevidade e qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de IMC para cirurgia bariátrica?

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a SBCBM, a cirurgia é indicada para pacientes com IMC > 40 kg/m², independentemente de comorbidades, ou IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades desencadeadas ou agravadas pela obesidade, como DM2, HAS, apneia do sono, dislipidemia e doenças articulares graves. Além do critério antropométrico, é necessário que o paciente tenha realizado tratamento clínico prévio (dieta, exercícios, medicação) por pelo menos dois anos sem sucesso sustentado, além de possuir estabilidade psiquiátrica e ausência de contraindicações clínicas maiores para o procedimento anestésico-cirúrgico.

Como calcular o IMC e classificar a obesidade?

O IMC é calculado dividindo o peso em quilogramas pela altura em metros elevada ao quadrado (kg/m²). A classificação da OMS define: Eutrofia (18,5-24,9), Sobrepeso (25-29,9), Obesidade Grau I (30-34,9), Obesidade Grau II (35-39,9) e Obesidade Grau III ou Mórbida (≥ 40). No caso clínico apresentado, o cálculo é 120 / (1,70 * 1,70) = 120 / 2,89, o que resulta em aproximadamente 41,52 kg/m². Portanto, o paciente é classificado com Obesidade Grau III, o que fundamenta a indicação de tratamento cirúrgico conforme os protocolos vigentes de saúde pública e suplementar.

Quais comorbidades favorecem a indicação cirúrgica?

As principais comorbidades que justificam a cirurgia em pacientes com IMC entre 35 e 40 incluem o Diabetes Mellitus tipo 2 (devido ao efeito metabólico da cirurgia), a Hipertensão Arterial Sistêmica, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), dislipidemias graves, esteatose hepática não alcoólica, doenças cardiovasculares (coronariopatia), osteoartrites de grandes articulações (como joelhos e quadris) e o refluxo gastroesofágico grave. A presença dessas condições indica que a obesidade está causando dano orgânico significativo, e a intervenção cirúrgica oferece benefícios superiores ao tratamento clínico isolado em termos de controle glicêmico, redução pressórica e longevidade.

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