IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Menino, de 4 anos de idade, é atendido em consulta de puericultura na Unidade Básica de Saúde. A mãe queixa-se de aparecimento de uma “mancha escura” atrás do pescoço há 3 meses, que vem aumentando de tamanho. Fez uso de hidratante e pomadas que tinha em casa, sem melhora. A criança nega prurido ou dor local. A mãe percebeu também que o filho ronca com mais intensidade quando dorme, mesmo sem quadro respiratório associado, acordando indisposto no dia seguinte. Nega outras queixas. Ao exame físico, apresenta peso de 24kg (Z escore entre +2 e +3), altura de 105cm (Z escore entre 0 e +2) e IMC = 21,7kg/m2 (Z escore > +3) - Curvas da Organização Mundial de Saúde. Nota-se lesão hipercrômica, de consistência aveludada e sem bordas definidas, em região cervical posterior. Abdome globoso por adiposidade, ruídos hidroaéreos presentes, indolor à palpação, sem massas palpáveis. Restante do exame físico sem alterações. Recordatório alimentar: 07h00 - café da manhã (em casa): 2 pães franceses com margarina, queijo muçarela e presunto; leite integral com achocolatado (200mL). 09h30 - lanche (escola): 1 fruta, 1 sanduíche de pão de forma com queijo e requeijão, suco de laranja natural (200mL). 12h00 - almoço (escola): arroz, feijão, carne bovina ou frango, legumes cozidos (come mais cenoura e batata), couve refogada com manteiga e suco em pó (200mL). 15h00 - lanche (casa): bolo (feito pela mãe) ou biscoitos de polvilho (industrializados) e leite integral com achocolatado (200mL). 18h00 - jantar (casa): arroz, feijão, carne bovina ou frango grelhado ou ovo mexido, batata frita, suco de laranja natural. 21h00 - ceia (casa): leite com achocolatado (200mL). Qual é a classificação do estado nutricional da criança?
Criança + IMC Z-escore > +3 (OMS) = Obesidade. Acantose nigricans e ronco são sinais de comorbidades.
A classificação do estado nutricional em crianças é feita pelo Z-escore do IMC para idade e sexo, utilizando as curvas da OMS. Um Z-escore de IMC > +3 indica obesidade. Os achados de acantose nigricans e ronco são sinais de comorbidades associadas à obesidade, como resistência à insulina e apneia obstrutiva do sono.
A obesidade infantil é uma epidemia global com sérias implicações para a saúde a curto e longo prazo. A puericultura na Unidade Básica de Saúde (UBS) é o cenário ideal para o rastreamento, diagnóstico e manejo precoce dessa condição, sendo fundamental para a prevenção de comorbidades futuras. A classificação do estado nutricional em crianças é realizada utilizando as curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que empregam o Z-escore do Índice de Massa Corporal (IMC) para idade e sexo. Um Z-escore de IMC entre +2 e +3 é classificado como obesidade, e um Z-escore > +3 é considerado obesidade grave. No caso apresentado, com IMC Z-escore > +3, a criança se enquadra na classificação de obesidade. Além da classificação, é crucial reconhecer os sinais e sintomas associados à obesidade, como a acantose nigricans (indicativa de resistência à insulina) e o ronco intenso (sugestivo de apneia obstrutiva do sono). O recordatório alimentar detalhado é uma ferramenta valiosa para identificar hábitos alimentares inadequados. O manejo da obesidade infantil envolve uma abordagem multidisciplinar, com foco em mudanças no estilo de vida, educação nutricional e promoção de atividade física, visando prevenir as graves comorbidades associadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a obesidade em crianças e adolescentes com base no Z-escore do Índice de Massa Corporal (IMC) para idade e sexo. Um Z-escore de IMC > +2 indica obesidade, e um Z-escore > +3 indica obesidade grave.
Acantose nigricans é uma lesão de pele caracterizada por hiperpigmentação e espessamento aveludado, geralmente em dobras cutâneas como pescoço e axilas. Em crianças obesas, é um marcador clínico importante de resistência à insulina, uma comorbidade comum da obesidade.
As principais comorbidades associadas à obesidade infantil incluem resistência à insulina (com risco de diabetes tipo 2), dislipidemia, hipertensão arterial, esteatose hepática não alcoólica, apneia obstrutiva do sono, problemas ortopédicos e impactos psicossociais.
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