UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018
Você é o médico de uma Unidade Básica de Saúde da Família no município de Uberlândia, leia a questão a seguir e responda de acordo com as políticas nacionais voltadas para a atenção básica. Paciente traz o filho de 10 anos para consulta pois está preocupada com a alimentação do filho. Relata que ele tem dificuldade de comer frutas e verduras e acredita que ele esteja com sobrepeso. O filho apresenta IMC de 25 e ela deseja orientações sobre ações que auxiliem a melhora do quadro. Assinale a alternativa com a conduta CORRETA:
Manejo da obesidade infantil → Foco em mudanças de hábito familiar e educação alimentar.
O tratamento do sobrepeso infantil na Atenção Básica foca na promoção de hábitos saudáveis, envolvendo a família e evitando dietas restritivas punitivas, priorizando o crescimento saudável.
A obesidade infantil é um problema de saúde pública crescente no Brasil, associado precocemente a dislipidemias, hipertensão e resistência insulínica. Na Atenção Primária, a abordagem deve ser multiprofissional e intersetorial, conforme a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN). O foco deve ser a vigilância alimentar e nutricional, incentivando a atividade física lúdica e a redução do comportamento sedentário, sempre respeitando a autonomia e a cultura alimentar da família.
Para crianças e adolescentes, o IMC deve ser interpretado em curvas de percentil ou escore-z para idade e sexo (OMS). Um IMC de 25 para um menino de 10 anos geralmente situa-se acima do percentil 97 ou escore-z > +2, o que o classifica como obesidade. É fundamental utilizar os gráficos de crescimento da Caderneta de Saúde da Criança para o diagnóstico correto.
As orientações devem focar no Guia Alimentar para a População Brasileira: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, evitar ultraprocessados (bebidas açucaradas, salgadinhos), estabelecer horários regulares para refeições e evitar o uso de telas durante a alimentação. O objetivo não é a perda de peso rápida, mas a manutenção ou desaceleração do ganho enquanto a criança cresce em estatura.
O papel da família é central, pois a criança compartilha o ambiente e os hábitos dos cuidadores. Mudanças isoladas na dieta da criança raramente funcionam; é necessário que toda a família adote um estilo de vida mais ativo e escolhas alimentares saudáveis. O médico deve atuar como facilitador, utilizando técnicas de entrevista motivacional para engajar os pais no processo de mudança.
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