HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Durante uma consulta pediátrica de rotina, os pais de um menino de 8 anos relatam uso excessivo de telas e ausência de prática de atividade física, exceto pelas aulas de Educação Física realizadas duas vezes por semana na escola. O hábito alimentar é inadequado, com baixa ingestão de frutas e legumes, associado a preferência por alimentos ultraprocessados. O índice de massa corporal (IMC) está representado na curva a seguir: Assinale a alternativa que apresenta a classificação do estado nutricional do paciente em questão e os exames complementares iniciais indicados de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria.
IMC > p97 (5-19 anos) = Obesidade → Rastrear: Glicemia, Perfil Lipídico e TGP.
A obesidade infantil exige avaliação de comorbidades metabólicas. A SBP recomenda triagem laboratorial para identificar resistência insulínica, dislipidemia e esteatose hepática.
A obesidade infantil é uma condição crônica e multifatorial que atua como precursor de diversas doenças metabólicas e cardiovasculares na vida adulta. O diagnóstico baseia-se no IMC para idade, utilizando as curvas da OMS, que permitem uma classificação padronizada independentemente da fase de crescimento. O manejo inicial foca na identificação de comorbidades silenciosas, como dislipidemia e esteatose hepática, através de exames laboratoriais simples. Além do rastreamento, a abordagem terapêutica deve ser centrada na família, promovendo a redução do tempo de tela, o aumento da atividade física e a melhoria da qualidade alimentar, priorizando alimentos in natura. A detecção precoce de alterações na TGP e no perfil lipídico permite intervenções que podem reverter o dano hepático inicial e reduzir o risco cardiovascular a longo prazo, sendo essencial na prática do pediatra geral e do residente.
A obesidade na infância e adolescência é definida pelo Índice de Massa Corporal (IMC) para idade e sexo, utilizando as curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS) adotadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Para crianças entre 5 e 19 anos, o sobrepeso é caracterizado por um IMC entre o escore-z +1 e +2 (percentis 85 a 97). A obesidade é definida por um IMC entre o escore-z +2 e +3 (percentis 97 a 99,9), enquanto a obesidade grave é diagnosticada quando o escore-z é superior a +3 (percentil > 99,9). É fundamental o uso correto das curvas de crescimento, pois o IMC varia significativamente com o desenvolvimento puberal e o crescimento linear. O diagnóstico preciso é o primeiro passo para a intervenção multidisciplinar, visando prevenir complicações como hipertensão, diabetes tipo 2 e dislipidemias, que têm surgido cada vez mais precocemente nesta população.
De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças e adolescentes com diagnóstico de obesidade devem ser submetidos a um rastreamento laboratorial inicial para identificar comorbidades. Os exames recomendados incluem a glicemia de jejum, para avaliar o metabolismo de carboidratos e risco de diabetes tipo 2; o perfil lipídico completo (colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos), para detectar dislipidemias; e a dosagem da transaminase glutâmico-pirúvica (TGP/ALT), que serve como marcador de triagem para a Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (antiga esteatose hepática não alcoólica). Outros exames, como TSH ou ácido úrico, podem ser solicitados dependendo da suspeita clínica específica, mas não fazem parte do rastreamento universal inicial para todos os pacientes obesos.
A dosagem de insulina de jejum e o cálculo de índices de resistência insulínica, como o HOMA-IR, não são recomendados rotineiramente pela Sociedade Brasileira de Pediatria e por diversas sociedades internacionais de endocrinologia pediátrica para a triagem inicial da obesidade. Isso ocorre devido à falta de padronização dos ensaios de insulina, à grande variabilidade biológica durante a puberdade e à ausência de pontos de corte universalmente aceitos que definam resistência insulínica patológica nesta faixa etária. Além disso, a conduta clínica inicial (mudança de estilo de vida) raramente é alterada pelo resultado da insulina isolada. O foco deve permanecer na identificação de alterações metabólicas já estabelecidas, como a hiperglicemia de jejum ou a intolerância à glicose, que possuem critérios diagnósticos bem definidos e impacto clínico direto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo