PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Um menino de três anos de idade apresenta ganho excessivo de peso desde o nascimento. Não apresenta outras queixas e não faz uso de medicações. É ativo. Pai com 172 cm, 85 kg e mãe com 165 cm e 70 kg, ambos saudáveis. Ao exame, paciente apresenta peso de 19 kg e 100 cm, circunferência abdominal de 50 cm e circunferência de quadril de 48 cm, testículos com 1 ml pelo orquidômetro de Prader, ausência de pilificação genital e exame segmentar normal.(VER IMAGEM).O diagnóstico mais provável é:
Criança < 5 anos com ganho de peso excessivo, sem outros sintomas e com pais obesos → Obesidade exógena com distribuição central.
Em crianças pequenas, o ganho de peso excessivo desde o nascimento, associado a pais com sobrepeso/obesidade e ausência de outros sinais ou sintomas, sugere fortemente obesidade exógena. A distribuição central é confirmada pela circunferência abdominal maior que a do quadril. É crucial descartar causas endógenas.
A obesidade infantil é um problema de saúde pública crescente, com implicações significativas para a saúde a longo prazo. O diagnóstico precoce e a diferenciação entre obesidade exógena (primária) e endógena (secundária) são cruciais. A obesidade exógena, responsável pela vasta maioria dos casos, é multifatorial, envolvendo predisposição genética e fatores ambientais como dieta e sedentarismo. Nesses casos, a criança geralmente apresenta crescimento estatural normal ou acelerado e não possui outros sinais ou sintomas que sugiram uma causa subjacente. A avaliação de uma criança com ganho de peso excessivo deve incluir a história clínica detalhada, com foco nos padrões alimentares, atividade física e histórico familiar. O exame físico deve ser completo para identificar sinais de causas endógenas, como baixa estatura, dismorfismos, estrias violáceas ou hipertensão, que poderiam indicar síndromes genéticas ou endocrinopatias (ex: Síndrome de Cushing, hipotireoidismo). A medição do peso, altura e cálculo do IMC, plotados em curvas de crescimento específicas para idade e sexo (como as da OMS), são ferramentas diagnósticas essenciais. No caso apresentado, o menino de 3 anos com ganho de peso desde o nascimento, pais com sobrepeso, IMC elevado para a idade, e ausência de outros achados clínicos (testículos normais para idade, sem pilificação, exame segmentar normal) aponta fortemente para obesidade exógena. A circunferência abdominal maior que a do quadril indica uma distribuição de gordura central, um fator de risco metabólico. O manejo envolve intervenções no estilo de vida, com foco em dieta saudável e aumento da atividade física, envolvendo toda a família.
O diagnóstico de obesidade em crianças é feito utilizando o Índice de Massa Corporal (IMC) para idade e sexo, plotado em curvas de crescimento específicas (como as da OMS). Um IMC acima do percentil 95 ou +2 desvios-padrão indica obesidade.
A obesidade exógena (primária) é a mais comum, associada a hábitos de vida e histórico familiar, sem outros sintomas. A obesidade endógena (secundária) é rara e geralmente acompanhada de outros sinais e sintomas, como baixa estatura, dismorfismos faciais ou alterações hormonais.
A distribuição de gordura, especialmente a central (abdominal), é um indicador de risco metabólico aumentado, mesmo em crianças. A relação cintura-quadril ou a circunferência abdominal são medidas úteis para avaliar essa distribuição.
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