UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Menino de 6 anos, asmático, é levado à consulta na pediatria geral, após quatro anos sem seguimento ambulatorial, sendo que as últimas medidas na caderneta registram peso, estatura e IMCkg/m² em escore-z de valor zero. A mãe relata que o paciente ganhou muito peso e cresceu pouco nesse período. Durante o atendimento, nota-se que o paciente apresenta asma não controlada, com diversas exacerbações, erros alimentares graves e sedentarismo. No momento, pesa 50kg (escore-z > +3) e tem 102cm de altura (escore-z entre -2 e -3), com IMC de 48kg/m2 (escore-z > +3). Nesse caso, a respeito da obesidade, é correto afirmar que:
Obesidade infantil + baixa estatura + asma não controlada → considerar uso crônico de corticoide oral como causa secundária.
O uso prolongado e abusivo de corticoides orais, comum em asma não controlada, pode levar a obesidade central, baixa estatura e outras comorbidades metabólicas. Nesses casos, a obesidade é secundária e a investigação deve focar na causa iatrogênica e no controle da doença de base.
A obesidade infantil é uma epidemia global com sérias implicações para a saúde a curto e longo prazo. Embora a maioria dos casos seja de obesidade primária, relacionada a fatores genéticos, ambientais, dietéticos e sedentarismo, é crucial investigar causas secundárias, especialmente em quadros atípicos como baixa estatura associada a ganho de peso excessivo. A asma não controlada, que frequentemente demanda o uso de corticoides orais, é um cenário clínico onde a obesidade secundária deve ser fortemente considerada. O uso prolongado e/ou abusivo de corticoides orais, comum em pacientes com asma grave e não controlada, é uma causa conhecida de obesidade, particularmente a obesidade central (tipo Cushingóide), e de retardo do crescimento. Esses medicamentos podem levar ao aumento do apetite, alterações no metabolismo de carboidratos e lipídios, e supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, impactando negativamente a velocidade de crescimento e a estatura final. Diante de um paciente com obesidade infantil grave, baixa estatura e histórico de asma não controlada com uso de corticoides, a investigação deve focar na avaliação do controle da asma, na otimização do tratamento (priorizando corticoides inalatórios) e na pesquisa de comorbidades metabólicas associadas à obesidade e ao uso de corticoides. Exames complementares para dislipidemia, glicemia, função hepática e avaliação óssea são frequentemente necessários para um manejo abrangente e individualizado.
As causas secundárias de obesidade infantil incluem síndromes genéticas (ex: Prader-Willi), distúrbios endócrinos (ex: hipotireoidismo, Síndrome de Cushing) e uso de medicamentos, como corticoides orais de forma crônica.
Corticoides orais, quando usados de forma crônica, podem induzir resistência à insulina, redistribuição de gordura (obesidade central), aumento do apetite e supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, afetando o crescimento e levando à baixa estatura.
Em pacientes com obesidade infantil grave, é fundamental investigar comorbidades como dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, esteatose hepática não alcoólica, apneia obstrutiva do sono e problemas ortopédicos, além de avaliar o impacto psicossocial.
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