FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Mãe traz filha de 10 meses de idade à consulta e diz que está orgulhosa, pois ela come bem e todos a acham “fofinha”. Criança nascida a termo, em aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, atualmente mantém aleitamento e alimentação complementar. Mãe nega oferta de alimentos adoçados ou industrializados e afirma que a criança “nunca está satisfeita”. Nega comorbidades conhecidas. Nega casos de obesidade ou doenças endocrinológicas na família. Ao exame: lactente sem dismorfismos faciais, ativa, normocorada, hidratada, eupneica. Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações. Estatura: 70cm; peso: 12kg; IMC = 23 kg/m². Analisando o caso e o gráfico abaixo, responda as questões a seguir: Conforme gráfico da OMS de índice de massa corporal versus idade, qual é a classificação nutricional desta paciente?
IMC/Idade > +3 escore-z (0-5 anos) = Obesidade; > +2 escore-z = Sobrepeso.
Em lactentes (0-5 anos), o diagnóstico de obesidade pelo IMC/Idade exige ultrapassar o desvio padrão +3, enquanto o sobrepeso situa-se entre +2 e +3.
A avaliação nutricional na primeira infância é pautada nas curvas da OMS (2006). O IMC para idade é um indicador sensível para excesso de peso. É fundamental diferenciar os pontos de corte por faixa etária, pois a sensibilidade dos desvios padrões muda aos 5 anos. O manejo precoce previne complicações metabólicas futuras. No caso clínico apresentado, a paciente de 10 meses apresenta um IMC de 23 kg/m². Ao plotar esse valor na curva de IMC por idade para meninas de 0 a 5 anos, observa-se que ele está significativamente acima da linha do desvio padrão +3 (escore-z > +3). Portanto, a classificação correta é obesidade, refletindo um acúmulo excessivo de massa corporal para a idade e estatura.
Para classificar o estado nutricional de crianças menores de 5 anos, utilizamos as curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2006. O índice de massa corporal (IMC) para a idade é fundamental. Um escore-z entre +1 e +2 indica risco de sobrepeso. Quando o escore-z está entre +2 e +3, a criança é classificada com sobrepeso. Já valores acima de +3 desvios-padrão (escore-z > +3) definem a obesidade nesta faixa etária. É crucial observar que esses pontos de corte são mais rigorosos do que em crianças mais velhas para evitar a rotulagem excessiva de lactentes que ainda estão em fase de redistribuição de gordura corporal, mas valores extremos como o do caso clínico não deixam dúvidas sobre o diagnóstico de obesidade.
A partir dos 5 anos até os 19 anos, os critérios da OMS mudam ligeiramente para refletir a maturação biológica. Para sobrepeso, o ponto de corte é o escore-z > +1. A obesidade é definida por um escore-z > +2. A obesidade grave, por sua vez, é diagnosticada quando o escore-z ultrapassa +3. Essa mudança ocorre porque, após os 5 anos, a correlação entre o IMC e a gordura corporal total torna-se mais estável e preditiva de riscos metabólicos na vida adulta. Portanto, um valor que seria classificado apenas como sobrepeso em um lactente de 2 anos pode ser classificado como obesidade em uma criança de 7 anos, exigindo atenção redobrada do pediatra na transição dessas tabelas.
Na anamnese de um lactente com excesso de peso, o médico deve investigar detalhadamente a história alimentar, incluindo a duração do aleitamento materno exclusivo e a qualidade da introdução da alimentação complementar. É vital questionar sobre a oferta de alimentos ultraprocessados, sucos artificiais e açúcares precoces, além de avaliar o comportamento de saciedade da criança. O histórico familiar de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares também é um preditor de risco importante. Além disso, deve-se afastar causas secundárias de obesidade, como síndromes genéticas (ex: Prader-Willi) ou endocrinopatias, embora estas sejam raras e geralmente acompanhadas de atraso no crescimento linear ou dismorfismos.
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