Obesidade Grau 1: Diagnóstico e Relação com Resistência Insulínica

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 46 anos de idade, branco, procurou um ambulatório de clínica médica com queixa de excesso de peso. No interrogatório, negou ter outros problemas, exceto o seu peso, negando também qualquer antecedente mórbido importante. No exame físico apresentava um peso de 98 quilos e uma altura de 171 cm, estando em bom estado geral, com pressão arterial de 150 x 100 mmHg, ausculta pulmonar e cardíaca normais, abdômen globoso, sem visceromegalias, circunferência abdominal de 110 cm. Trazia consigo alguns exames realizados recentemente: glicemia de jejum de 108 mg%, glicemia 2 horas após 75g de glicose via oral de 136 mg%, ácido úrico de 9,4 mg%, colesterol de 220 mg/dl e triglicérides de 230 mg/dl. Somente baseado nos dados acima, no tocante ao estado nutricional do paciente, poderíamos dizer que:

Alternativas

  1. A) se trata de um paciente com obesidade grau 1, de acordo com os critérios da OMS para o IMC (Índice de Massa Corpórea e a sua circunferência abdominal permite afirmar que ele tem resistência insulínica.
  2. B) se trata de um paciente com sobrepeso e a sua secreção insulínica é normal.
  3. C) se trata de um paciente obeso mórbido e o nível de triglicérides elevado indica que suas ilhotas pancreáticas estão entrando em falência.
  4. D) o paciente é obeso, mas para aferirmos o grau de obesidade, necessitamos de bio-impedanciometria e o paciente não tem resistência insulínica, porque o seu colesterol está discretamente elevado.

Pérola Clínica

IMC 33.5 kg/m² (Obesidade Grau 1) + CA 110 cm (↑) + PA 150x100 mmHg + TG 230 mg/dl + Glicemia 108 mg% → Síndrome Metabólica e resistência insulínica.

Resumo-Chave

O cálculo do IMC (Peso/Altura²) é fundamental para classificar o grau de obesidade. A circunferência abdominal elevada, juntamente com hipertensão, dislipidemia (triglicerídeos altos) e glicemia de jejum alterada, são fortes indicadores de resistência insulínica e síndrome metabólica.

Contexto Educacional

A avaliação do estado nutricional de um paciente com excesso de peso envolve o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC) e a medição da circunferência abdominal, ambos indicadores importantes de risco à saúde. O IMC é calculado como peso (kg) / altura (m)². Para o paciente em questão (98 kg / (1,71 m)² = 33,5 kg/m²), ele se enquadra na classificação de Obesidade Grau 1 (IMC entre 30 e 34,9 kg/m²). A circunferência abdominal é um marcador crucial de gordura visceral, que está fortemente associada à resistência insulínica. Para homens, uma circunferência abdominal maior que 102 cm é considerada elevada. Com 110 cm, o paciente apresenta um risco aumentado de resistência insulínica. A resistência insulínica é uma condição em que as células do corpo não respondem adequadamente à insulina, levando a níveis elevados de glicose no sangue e, frequentemente, a um perfil metabólico desfavorável. Os exames laboratoriais do paciente reforçam o quadro de síndrome metabólica e resistência insulínica: glicemia de jejum de 108 mg% (compatível com glicemia de jejum alterada), triglicerídeos de 230 mg/dl (elevados) e pressão arterial de 150 x 100 mmHg (hipertensão). O ácido úrico elevado também é frequentemente associado à síndrome metabólica. Portanto, a combinação desses achados permite afirmar que o paciente tem obesidade grau 1 e apresenta sinais de resistência insulínica.

Perguntas Frequentes

Como calcular o IMC e classificar a obesidade?

O IMC é calculado dividindo o peso (em kg) pela altura (em metros) ao quadrado. Para o paciente (98 kg / (1.71 m)² = 98 / 2.9241 ≈ 33.5 kg/m²), o IMC de 33.5 kg/m² o classifica como Obesidade Grau 1 (IMC entre 30 e 34.9 kg/m²).

Qual a importância da circunferência abdominal na avaliação da obesidade?

A circunferência abdominal é um forte preditor de gordura visceral e, consequentemente, de resistência insulínica e risco cardiovascular. Valores acima de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres são considerados elevados e indicam maior risco. No caso, 110 cm para um homem é um indicador claro.

Quais são os critérios para o diagnóstico de síndrome metabólica?

A síndrome metabólica é diagnosticada pela presença de três ou mais dos seguintes critérios: obesidade abdominal (CA > 102 cm em homens), triglicerídeos ≥ 150 mg/dL, HDL-C < 40 mg/dL em homens, pressão arterial ≥ 130/85 mmHg ou em tratamento, e glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL ou em tratamento. O paciente preenche vários desses critérios.

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