MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 42 anos, com Índice de Massa Corporal (IMC) de 48 kg/m², é encaminhado para avaliação pulmonar antes de uma cirurgia bariátrica. Ele queixa-se de dispneia aos esforços moderados e sonolência excessiva durante o dia, mas nega histórico de tabagismo ou asma. Os testes de função pulmonar revelam uma Capacidade Vital Forçada (CVF) de 65% do previsto e um VEF1 de 68% do previsto, resultando em uma relação VEF1/CVF de 82% (valor de referência > 75%). A medida dos volumes estáticos demonstra uma redução acentuada da Capacidade Residual Funcional (CRF) e do Volume de Reserva Expiratório (VRE), com parênquima pulmonar sem evidências de fibrose na tomografia. Qual o principal mecanismo fisiopatológico que explica o padrão ventilatório observado?
Na obesidade, o achado funcional mais sensível e precoce é a redução do Volume de Reserva Expiratório (VRE), refletindo a compressão diafragmática pelo conteúdo abdominal.
A obesidade mórbida é uma condição de crescente prevalência e impacta significativamente múltiplos sistemas orgânicos, incluindo o respiratório. O residente deve estar ciente das alterações fisiológicas pulmonares induzidas pela obesidade, que podem levar a um padrão ventilatório restritivo e, em casos mais graves, à síndrome de hipoventilação da obesidade. A fisiopatologia central envolve a carga mecânica excessiva imposta pela gordura abdominal e torácica. Isso resulta em diminuição da complacência da parede torácica, aumento do trabalho respiratório e, consequentemente, redução dos volumes pulmonares, especialmente a Capacidade Residual Funcional (CRF) e o Volume de Reserva Expiratório (VRE). A relação VEF1/CVF geralmente permanece normal, diferenciando-o de doenças obstrutivas. O manejo desses pacientes antes de cirurgias como a bariátrica é crucial. A avaliação pulmonar pré-operatória visa identificar e otimizar a função respiratória para reduzir riscos. O tratamento a longo prazo envolve a perda de peso, que pode reverter ou melhorar significativamente as alterações da função pulmonar e os sintomas associados.
Porque a restrição afeta a capacidade total de ar que entra (CVF), mas não impede que o ar saia rapidamente (VEF1). Como ambos caem proporcionalmente, a divisão de um pelo outro permanece alta.
Complacência pulmonar refere-se à facilidade do pulmão esticar; complacência da parede torácica refere-se à facilidade das costelas e músculos se expandirem.
Sim, pois a redução da CRF pode levar ao fechamento de pequenas vias aéreas nas bases pulmonares durante a respiração normal, gerando distúrbios de ventilação-perfusão.
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