UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menina, 6 anos, apresenta aumento progressivo do peso, nos últimos 2 anos, e seus pais referem que ela está com dificuldade na alfabetização. Exame físico: peso = 22kg (z=+0,64); altura = 104,5cm (z= -2,1); índice de massa corporal (IMC) = 20.5kg/m2 (z=+2,05); estágio puberal M1P2 de Tanner; mancha escura com textura grossa e aveludada na região cervical posterior. Pode-se afirmar que a alteração sugestiva de causa endócrina para o excesso de peso é:
Ganho de peso + ↓ Velocidade de crescimento = Investigar causa endócrina.
A obesidade exógena geralmente acelera a idade óssea e a estatura; se houver baixa estatura associada ao ganho de peso, a causa é provavelmente endócrina.
A avaliação da obesidade na infância exige a análise conjunta das curvas de peso e estatura. A grande maioria dos casos é de origem exógena, onde a criança apresenta estatura normal ou acima do percentil para a idade. Causas endócrinas como o hipotireoidismo primário e a Síndrome de Cushing são raras, mas classicamente apresentam o 'desvio das curvas': o peso sobe enquanto a estatura cai ou estagna. No caso descrito, o Z-score de altura de -2.1 é o achado clínico fundamental que direciona a investigação para distúrbios hormonais.
Na obesidade exógena (nutricional), o excesso de nutrientes e a insulina elevada tendem a acelerar o crescimento linear e a maturação óssea, resultando em crianças mais altas que a média. Quando o ganho de peso ocorre junto com desaceleração do crescimento ou baixa estatura (Z-score negativo), deve-se suspeitar de hipotireoidismo, excesso de cortisol (Cushing) ou deficiência de GH.
A acantose nigricans é uma placa hipercrômica e aveludada, geralmente em dobras cutâneas, que sinaliza resistência à insulina. Embora comum em causas endócrinas, ela é frequentemente encontrada na obesidade exógena associada à síndrome metabólica, não sendo patognomônica de uma doença endócrina primária específica.
A paciente está no estágio M1P2 de Tanner. O aparecimento de pelos pubianos (pubarca - P2) sem desenvolvimento mamário (M1) em uma menina de 6 anos pode indicar adrenarca precoce, que é comum em crianças com sobrepeso, mas a baixa estatura continua sendo o sinal de alerta mais forte para patologia endócrina.
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