SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Adolescente, 16 anos de idade, chega à UBS com quadro de poliúria há, aproximadamente, 40 dias. Refere fadiga frequente, o que atribui ao aumento de peso, durante a pandemia. Nega febre, disúria e outros sintomas. Ao exame, IMC: 29kg/m²; acima do 95° percentil; bom estado geral, eupneica, hidratada, afebril, corada. Apresenta eritema macular hiperemiado sob ambas as mamas, pruriginoso. O exame de urina I mostra: pH: 7,2; Densidade: de 1,01; Ausência de cetonas, bilirrubina, urobilinogênio, sangue e nitrito; presença de glicose ++; raros leucócitos e raras células epiteliais. Glicemia em jejum foi de 100mg/dL Diante os dados apresentados, indique a classificação dada a essa adolescente quanto à antropometria.
IMC > percentil 95 para idade e sexo em adolescentes = Obesidade.
A classificação antropométrica na pediatria utiliza curvas de crescimento; o IMC acima do percentil 95 define obesidade, independentemente de achados laboratoriais como glicosúria.
A avaliação do estado nutricional na adolescência exige o uso de ferramentas dinâmicas, como as curvas de IMC para idade da Organização Mundial da Saúde. Diferente dos adultos, onde pontos de corte fixos (25 e 30 kg/m²) são utilizados, na pediatria a variação da composição corporal e do crescimento torna os percentis indispensáveis para um diagnóstico preciso. No caso apresentado, o IMC de 29 kg/m² acima do percentil 95 consolida o diagnóstico de obesidade. Além da antropometria, o quadro clínico de poliúria e fadiga em um paciente obeso levanta o alerta para distúrbios do metabolismo da glicose. Embora a glicemia de jejum estivesse no limite superior da normalidade, a glicosúria indica que os níveis séricos de glicose ultrapassaram o limiar de reabsorção tubular renal (geralmente >180 mg/dL) em algum momento, reforçando a necessidade de investigação para DM2 ou pré-diabetes.
De acordo com a OMS e o Ministério da Saúde, o sobrepeso em adolescentes (10-19 anos) é definido por um IMC para idade entre o percentil 85 e 95 (ou escore-z entre +1 e +2). Já a obesidade é diagnosticada quando o IMC para idade está acima do percentil 95 (ou escore-z > +2). É fundamental utilizar as curvas específicas para sexo e idade, pois os valores absolutos de IMC variam significativamente durante a puberdade e o estirão de crescimento.
A presença de glicosúria com glicemia de jejum normal (neste caso, 100 mg/dL) pode sugerir um limiar renal de glicose reduzido ou, mais comumente em contextos de obesidade, uma hiperglicemia pós-prandial significativa que não é captada no jejum. Em adolescentes obesos com sintomas de poliúria, deve-se prosseguir a investigação com Hemoglobina Glicada (HbA1c) ou Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) para descartar Diabetes Mellitus Tipo 2.
A obesidade nesta faixa etária está associada a múltiplas comorbidades, incluindo resistência à insulina, Diabetes Mellitus Tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica e esteatose hepática não alcoólica. Além disso, há repercussões ortopédicas (como epifisiólise da cabeça do fêmur) e psicossociais importantes. O rastreio metabólico é indicado para todos os adolescentes com IMC acima do percentil 95.
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