PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Observe as afirmativas sobre a relação entre nutrição e formação de cálculos biliares. I. A nutrição representa fator ambiental chave na formação de cálculos biliares. As mudanças ocorridas no século passado na dieta, com a maior ingesta de gorduras e carboidratos, associadas ao estilo de vida ocidental aumentaram a prevalência de cálculos biliares. II. A Nutrição parenteral total (NPT) está associada ao desenvolvimento de lama biliar e cálculos biliares, assim como de colecistite acalculosa, no âmbito da terapia intensiva. III. Pacientes críticos, em uso de NTP, podem desenvolver lama biliar e cálculos após 2-5 dias de jejum. IV. A lama biliar tende a persistir enquanto a NPT está em vigor, porém se resolve após o fim da terapia; apenas alguns pacientes desenvolvem cálculos biliares e por vezes se tornam sintomáticos. Quais estão CORRETAS?
NPT prolongada → ↓ Colecistoquinina → Estase biliar → Lama e cálculos. Reversível após retorno da dieta enteral.
A nutrição parenteral total predispõe à formação de lama e cálculos biliares devido à ausência de estímulo enteral, resultando em estase biliar por falta de contração da vesícula.
A relação entre dieta e cálculos biliares é bem estabelecida. Dietas ocidentais ricas em carboidratos refinados e gorduras saturadas aumentam a saturação de colesterol na bile. Por outro lado, o jejum total e a Nutrição Parenteral Total (NPT) representam um risco iatrogênico significativo para a árvore biliar. Em pacientes de UTI, a vigilância ultrassonográfica da vesícula é recomendada quando a NPT se estende por mais de duas semanas. A afirmativa III da questão estava incorreta pois o tempo de 2-5 dias é insuficiente para a formação de lama biliar significativa; estudos mostram que cerca de 50% dos pacientes em NPT desenvolvem lama após 4 semanas, e quase 100% após 6 semanas. O manejo envolve, sempre que possível, a introdução de pequenas quantidades de nutrição enteral ('trofismo enteral') para estimular a contratilidade vesicular.
A formação de lama biliar durante a NPT ocorre principalmente devido à falta de estimulação hormonal para a contração da vesícula biliar. Normalmente, a presença de gorduras e proteínas no duodeno libera colecistoquinina (CCK), que induz a contração vesicular. No jejum prolongado e na NPT, essa via é inativa, levando à estase biliar. A bile estagnada sofre desidratação e precipitação de cristais de colesterol e bilirrubinato de cálcio, formando a lama.
Sim, na maioria dos casos a lama biliar é reversível. Uma vez que a terapia parenteral é interrompida e a alimentação enteral é reiniciada, o estímulo fisiológico para a contração da vesícula retorna, promovendo o esvaziamento da lama acumulada. No entanto, se a estase persistir por muito tempo, a lama pode progredir para cálculos biliares permanentes ou causar colecistite acalculosa.
Pacientes críticos em NPT têm alto risco de colecistite acalculosa aguda. A combinação de estase biliar (pela falta de CCK), isquemia da parede da vesícula (por choque ou sepse) e aumento da viscosidade da bile cria um ambiente propício para inflamação e infecção da vesícula, mesmo na ausência de cálculos, com alto risco de necrose e perfuração.
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