UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Paciente de 25 anos, submetido a apendicectomia aberta, evoluindo de maneira satisfatória até o 3º dia Pós-Operatório (PO). No dia seguinte, começou a apresentar distensão abdominal, inapetência e parada de eliminação de flatos e fezes. Devido hiperemia da ferida operatória, foram retirado dois pontos que resultaram em drenagem piosanguinolenta em moderada quantidade. No sétimo dia pós- operatório, paciente ainda não demonstrava ruídos hidroaéreos, começou a ter febre, vômitos e hipotensão. Submetido a relaparotomia no 8º PO de apendicectomia, com lavagem da cavidade, drenagem de abscesso, ressecção do ceco e ileostomia, sendo encaminhado para UTI. O suporte nutricional, mais adequado nesse caso é:
Disfunção TGI grave + Jejum prolongado (>7 dias) → Nutrição Parenteral Total (NPT).
Em pacientes críticos com trato gastrointestinal não funcional e previsão de jejum prolongado, a nutrição parenteral é a via de escolha para evitar desnutrição.
O suporte nutricional no paciente cirúrgico grave visa atenuar a resposta metabólica ao estresse e preservar a massa magra. A escolha entre nutrição enteral (NE) e parenteral (NPT) depende da integridade funcional do trato gastrointestinal. Em casos de peritonite, obstrução intestinal ou íleo adinâmico persistente, a NPT torna-se a via primária. A transição para NE deve ocorrer assim que houver sinais de recuperação da motilidade intestinal, visando manter o trofismo da barreira mucosa.
A NPT está indicada quando o trato gastrointestinal não é funcional, está inacessível ou quando a nutrição enteral não atinge as metas calóricas em 7 a 10 dias. Em pacientes previamente desnutridos ou em estado crítico com previsão de jejum superior a 5-7 dias, a introdução deve ser precoce. No caso clínico, a re-laparotomia com ressecção intestinal e sepse configura um cenário de íleo prolongado e alta demanda metabólica, justificando o acesso central para NPT.
As complicações dividem-se em mecânicas (relacionadas ao acesso venoso central, como pneumotórax), infecciosas (sepse relacionada ao cateter) e metabólicas (hiperglicemia, distúrbios hidroeletrolíticos, esteatose hepática e síndrome de realimentação). O monitoramento rigoroso de eletrólitos e glicemia capilar é fundamental para a segurança do paciente.
Embora a via enteral seja preferencial, o paciente apresenta um quadro de sepse abdominal grave, re-intervenção cirúrgica extensa e provável íleo paralítico prolongado. Nestas condições, a motilidade intestinal está severamente comprometida, tornando a absorção de nutrientes via enteral ineficaz e aumentando o risco de broncoaspiração e isquemia não oclusiva.
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