UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Recém-nascido prematuro extremo, no segundo dia de vida, recebe nutrição parenteral (NP) com velocidade de infusão de glicose (VIG) = 8 mg/kg/min, aminoácidos = 3 g/kg/dia e lipídeos = 2 g/kg/dia apresenta glicemia capilar = 200 mg/dL. Para a prescrição da NP subsequente, foi optado pela redução da VIG para 6 mg/kg/min. A respeito da prescrição dos demais macronutrientes, qual é a conduta mais adequada?
Hiperglicemia no prematuro: reduza a VIG, mas mantenha aminoácidos/lipídeos para evitar catabolismo proteico.
O manejo da hiperglicemia em prematuros exige redução da glicose sem sacrificar o aporte proteico-calórico basal, prevenindo o balanço nitrogenado negativo.
A nutrição parenteral (NP) precoce e agressiva é o padrão-ouro para prematuros extremos para mimetizar o crescimento intrauterino. Contudo, a intolerância à glicose é frequente. O desafio clínico reside em controlar a glicemia sem induzir um estado de inanição iatrogênica. A glicose é o principal substrato energético, mas os aminoácidos são os blocos construtores essenciais. Ao reduzir a VIG de 8 para 6 mg/kg/min devido à glicemia de 200 mg/dL, o médico deve garantir que a oferta calórica total e a proporção de aminoácidos permaneçam adequadas. A manutenção de níveis proteicos (3 g/kg/dia) ajuda a estimular a secreção endógena de insulina e favorece o crescimento, mesmo em cenários de restrição parcial de carboidratos.
Prematuros extremos apresentam imaturidade nos mecanismos de regulação da glicose, incluindo secreção insuficiente de insulina pelas células beta pancreáticas e resistência periférica à insulina. Além disso, o estresse clínico (sepse, desconforto respiratório) eleva hormônios contra-reguladores (cortisol, catecolaminas) que estimulam a gliconeogênese hepática, mesmo na presença de infusão contínua de glicose exógena via nutrição parenteral.
A conduta inicial envolve a redução cautelosa da Velocidade de Infusão de Glicose (VIG). Geralmente, reduz-se 1 a 2 mg/kg/min por vez, monitorando a glicemia capilar. No entanto, é crucial não reduzir excessivamente a oferta calórica total. Se a hiperglicemia persistir mesmo com VIG baixa (próxima a 4-5 mg/kg/min), o uso de insulina em infusão contínua pode ser necessário para manter o anabolismo e permitir o aporte de outros nutrientes.
Para manter o anabolismo, a oferta de aminoácidos e lipídeos deve ser preservada ou ajustada para garantir que a taxa metabólica basal seja atendida. Os aminoácidos são fundamentais para evitar o catabolismo proteico e o balanço nitrogenado negativo, que são deletérios para o desenvolvimento neurológico. A relação caloria não-proteica/grama de nitrogênio deve ser monitorada para otimizar a utilização dos substratos oferecidos na nutrição parenteral.
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