PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Um paciente submetido a uma grande cirurgia abdominal tem alto risco de desnutrição. Qual é a via mais apropriada de suporte nutricional no período pós-operatório imediato?
Grande cirurgia abdominal + alto risco nutricional + íleo prolongado → Nutrição Parenteral (CVC).
Embora a via enteral seja preferencial, a nutrição parenteral é indicada no pós-operatório imediato de grandes cirurgias abdominais quando o trato gastrointestinal não é funcional ou o risco de desnutrição é crítico.
O suporte nutricional no paciente cirúrgico visa atenuar a resposta metabólica ao trauma e preservar a massa magra. Em cirurgias abdominais de grande porte, o estresse cirúrgico induz um estado hipermetabólico e catabólico intenso. Pacientes previamente desnutridos ou com alto risco nutricional (como em neoplasias avançadas) apresentam piores desfechos se o suporte não for iniciado precocemente.\n\nA escolha da via parenteral, embora menos fisiológica que a enteral, justifica-se em cenários de impossibilidade técnica de uso do TGI, como em obstruções intestinais, peritonites graves ou anastomoses de alto risco. A administração deve ser feita preferencialmente por acesso venoso central para permitir o uso de soluções hiperosmolares que cubram integralmente as necessidades energéticas e proteicas.
A nutrição parenteral (NP) é indicada quando o trato gastrointestinal (TGI) não está funcional, está inacessível ou quando a nutrição enteral (NE) é insuficiente para atingir as metas calóricas em pacientes de alto risco. Em grandes cirurgias abdominais com expectativa de íleo paralítico prolongado (> 7 dias) ou fístulas de alto débito, a NP torna-se a via de escolha inicial.
As principais complicações incluem infecções relacionadas ao cateter venoso central (sepse), distúrbios metabólicos (hiperglicemia, desequilíbrios eletrolíticos), esteatose hepática e atrofia da mucosa intestinal por falta de estímulo luminal. O monitoramento rigoroso de glicemia e eletrólitos é obrigatório.
A transição deve ser gradual assim que houver sinais de retorno da função intestinal (ruídos hidroaéreos, eliminação de gases). A NP deve ser reduzida à medida que a tolerância à via enteral aumenta, sendo suspensa apenas quando o paciente atingir pelo menos 60% das necessidades nutricionais por via digestiva.
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