UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Pode-se afirmar que, na impossibilidade de aleitamento natural no primeiro ano de vida, NÃO se recomenda a introdução de leite de vaca não modificado por este conter:
Leite de vaca < 1 ano → ↑ Proteína e eletrólitos → ↑ Carga renal de solutos + risco de anemia.
O leite de vaca integral é contraindicado antes dos 12 meses devido ao alto teor proteico e mineral, que sobrecarrega os rins imaturos e predispõe a micro-hemorragias intestinais.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria é o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos ou mais. Na impossibilidade do aleitamento materno, devem ser utilizadas fórmulas infantis desenhadas para suprir as necessidades específicas de cada fase. O uso do leite de vaca integral antes de 1 ano de idade é uma prática associada a piores desfechos de saúde, incluindo maior incidência de alergias alimentares, obesidade infantil e distúrbios metabólicos. A educação dos cuidadores sobre a inadequação nutricional do leite de vaca é um pilar fundamental da puericultura moderna.
O leite de vaca integral contém cerca de três vezes mais proteína do que o leite humano. Esse excesso proteico resulta em uma alta produção de ureia e outros metabólitos nitrogenados. Como os rins do lactente ainda não possuem capacidade plena de concentração urinária, esse excesso gera uma elevada carga renal de solutos, aumentando o risco de desidratação hipertônica e sobrecarga funcional renal.
O leite de vaca é um fator de risco importante para anemia por três motivos: possui baixa biodisponibilidade de ferro, o cálcio e a caseína presentes inibem a absorção do pouco ferro disponível, e as proteínas do leite de vaca podem causar micro-hemorragias na mucosa intestinal do lactente (enteropatia induzida pela proteína do leite de vaca), levando à perda crônica de sangue nas fezes.
Além do problema do ferro, o leite de vaca integral apresenta baixos teores de ácidos graxos essenciais (como ômega-3 e ômega-6), zinco, vitamina E e ácido fólico. Por outro lado, possui excesso de sódio, potássio e cloreto, o que contribui para a sobrecarga renal e pode predispor ao desenvolvimento de hipertensão e obesidade no futuro.
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