UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Mulher, 25 anos de idade, previamente saudável, politraumatizada, vítima de acidente de trânsito, é admitida na UTI após drenagem de contusão cerebral frontal direita e drenagem de tórax à direita devido a um pneumotórax hipertensivo. O quadro hemodinâmico é estável e há perspectiva de mantê-la sedada e em ventilação mecânica nas próximas 48 a 72 horas. Qual é a conduta mais adequada em relação à terapia nutricional?
Politrauma em UTI: iniciar nutrição enteral precoce (15-20 kcal/kg/dia).
Em pacientes politraumatizados na UTI, o início precoce da terapia nutricional enteral, com uma oferta energética de 15 a 20 kcal/kg/dia, é a conduta mais adequada. Isso visa preservar a integridade da barreira intestinal, modular a resposta inflamatória e prevenir a desnutrição, melhorando desfechos.
Pacientes politraumatizados em unidades de terapia intensiva (UTI) apresentam um estado hipermetabólico e hipercatabólico significativo, o que os torna altamente vulneráveis à desnutrição e suas complicações. A terapia nutricional adequada é um pilar fundamental do tratamento, visando atenuar a resposta ao estresse, preservar a massa magra e otimizar a recuperação. A fisiopatologia do trauma leva a uma intensa resposta inflamatória e liberação de citocinas, aumentando as demandas energéticas e proteicas. O início precoce da nutrição enteral, dentro de 24 a 48 horas, é crucial para modular essa resposta, manter a integridade da barreira intestinal e reduzir o risco de infecções. A oferta energética inicial deve ser cautelosa, geralmente entre 15 a 20 kcal/kg/dia, para evitar a superalimentação e a síndrome de realimentação, sendo progressivamente aumentada conforme a tolerância e estabilidade do paciente. A escolha da via enteral, sempre que possível, é preferível à parenteral devido aos seus múltiplos benefícios. Fórmulas enterais padrão são geralmente adequadas, e o uso de fórmulas imunomoduladoras com ômega-3 ou antioxidantes pode ser considerado em casos selecionados, embora a evidência para benefícios generalizados ainda seja debatida. Residentes devem dominar os princípios da terapia nutricional em pacientes críticos para otimizar o suporte e melhorar os desfechos clínicos.
A nutrição enteral é preferível porque ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, previne a translocação bacteriana, modula a resposta inflamatória e está associada a menor incidência de infecções e complicações metabólicas em comparação com a nutrição parenteral.
A oferta energética inicial recomendada para pacientes politraumatizados em UTI é de 15 a 20 kcal/kg/dia. Essa oferta deve ser progressivamente ajustada para atingir as necessidades completas do paciente, evitando a superalimentação.
A nutrição enteral deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente dentro de 24 a 48 horas após a admissão na UTI, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável e o trato gastrointestinal seja funcional.
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