Nutrição em Cirurgia: Estratégias e Indicações para Residentes

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021

Enunciado

A respeito da nutrição em cirurgia, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) A via oral é sempre a melhor escolha para pacientes com integridade do tubo digestivo.
  2. B) Pacientes com cirurgias abdominais devem aguardar sempre o restabelecimento do trânsito intestinal para início da nutrição, independentemente da via nutricional utilizada.
  3. C) A nutrição parenteral total é escolha para pacientes com fístulas digestivas, íleo adinâmico, com déficits nutricionais e impossibilitados de fazer o aporte nutricional pela via oral.
  4. D) Pacientes com impossibilidade de nutrição via oral, devem avaliar primariamente a administração de nutrição enteral em detrimento da nutrição parenteral.
  5. E) As nutrição enteral monomérica é de alta absorção.

Pérola Clínica

Não é necessário aguardar o restabelecimento do trânsito intestinal para iniciar nutrição enteral precoce em cirurgias abdominais.

Resumo-Chave

A nutrição enteral precoce, mesmo na presença de íleo pós-operatório, é benéfica e segura para a maioria dos pacientes submetidos a cirurgias abdominais, pois ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, reduzir a translocação bacteriana e diminuir complicações. Não se deve aguardar o restabelecimento completo do trânsito intestinal para iniciá-la.

Contexto Educacional

A nutrição desempenha um papel crítico na recuperação de pacientes cirúrgicos, influenciando diretamente o prognóstico e a ocorrência de complicações. A escolha da via e do tipo de nutrição deve ser individualizada, considerando a condição clínica do paciente, a integridade do trato gastrointestinal e o tipo de cirurgia realizada. A via oral é sempre a preferencial, sendo a mais fisiológica e segura. Em pacientes que não podem se alimentar por via oral, a nutrição enteral deve ser a primeira opção, desde que o trato gastrointestinal esteja funcional. A nutrição enteral precoce, iniciada nas primeiras 24-48 horas após a cirurgia, mesmo na presença de íleo pós-operatório, tem demonstrado benefícios significativos, como a manutenção da integridade da barreira intestinal, redução da translocação bacteriana e diminuição das taxas de infecção e tempo de internação. A nutrição parenteral total é reservada para situações em que a via enteral é contraindicada ou insuficiente, como em casos de fístulas digestivas de alto débito, íleo adinâmico prolongado, isquemia intestinal ou má absorção grave. É importante ressaltar que a crença de que é necessário aguardar o restabelecimento completo do trânsito intestinal para iniciar a nutrição enteral é um conceito ultrapassado. Protocolos de recuperação aprimorada após a cirurgia (ERAS) preconizam a alimentação precoce para otimizar a recuperação do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a melhor via de nutrição para pacientes cirúrgicos com tubo digestivo íntegro?

A via oral é sempre a melhor escolha para pacientes com integridade do tubo digestivo, pois é a mais fisiológica, segura e econômica, devendo ser incentivada o mais precocemente possível no pós-operatório.

Quando a nutrição enteral é preferível à parenteral?

A nutrição enteral é preferível à parenteral sempre que o trato gastrointestinal estiver funcional, mesmo que parcialmente. Ela ajuda a manter a integridade da mucosa intestinal, prevenir a translocação bacteriana e modular a resposta inflamatória.

Em que situações a nutrição parenteral total é indicada?

A nutrição parenteral total é indicada para pacientes com falência intestinal (ex: fístulas de alto débito, íleo adinâmico prolongado, isquemia intestinal) ou quando a via enteral não é possível ou suficiente para suprir as necessidades nutricionais por um período prolongado.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo