SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021
A respeito da nutrição em cirurgia, assinale a alternativa ERRADA:
Não é necessário aguardar o restabelecimento do trânsito intestinal para iniciar nutrição enteral precoce em cirurgias abdominais.
A nutrição enteral precoce, mesmo na presença de íleo pós-operatório, é benéfica e segura para a maioria dos pacientes submetidos a cirurgias abdominais, pois ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, reduzir a translocação bacteriana e diminuir complicações. Não se deve aguardar o restabelecimento completo do trânsito intestinal para iniciá-la.
A nutrição desempenha um papel crítico na recuperação de pacientes cirúrgicos, influenciando diretamente o prognóstico e a ocorrência de complicações. A escolha da via e do tipo de nutrição deve ser individualizada, considerando a condição clínica do paciente, a integridade do trato gastrointestinal e o tipo de cirurgia realizada. A via oral é sempre a preferencial, sendo a mais fisiológica e segura. Em pacientes que não podem se alimentar por via oral, a nutrição enteral deve ser a primeira opção, desde que o trato gastrointestinal esteja funcional. A nutrição enteral precoce, iniciada nas primeiras 24-48 horas após a cirurgia, mesmo na presença de íleo pós-operatório, tem demonstrado benefícios significativos, como a manutenção da integridade da barreira intestinal, redução da translocação bacteriana e diminuição das taxas de infecção e tempo de internação. A nutrição parenteral total é reservada para situações em que a via enteral é contraindicada ou insuficiente, como em casos de fístulas digestivas de alto débito, íleo adinâmico prolongado, isquemia intestinal ou má absorção grave. É importante ressaltar que a crença de que é necessário aguardar o restabelecimento completo do trânsito intestinal para iniciar a nutrição enteral é um conceito ultrapassado. Protocolos de recuperação aprimorada após a cirurgia (ERAS) preconizam a alimentação precoce para otimizar a recuperação do paciente.
A via oral é sempre a melhor escolha para pacientes com integridade do tubo digestivo, pois é a mais fisiológica, segura e econômica, devendo ser incentivada o mais precocemente possível no pós-operatório.
A nutrição enteral é preferível à parenteral sempre que o trato gastrointestinal estiver funcional, mesmo que parcialmente. Ela ajuda a manter a integridade da mucosa intestinal, prevenir a translocação bacteriana e modular a resposta inflamatória.
A nutrição parenteral total é indicada para pacientes com falência intestinal (ex: fístulas de alto débito, íleo adinâmico prolongado, isquemia intestinal) ou quando a via enteral não é possível ou suficiente para suprir as necessidades nutricionais por um período prolongado.
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