FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 56 anos, previamente desnutrido, foi submetido à esofagectomia total em três campos (pescoço, tórax e abdômen) para tratamento de neoplasia maligna de esôfago torácico pós-tratamento neoadjuvante com quimioradioterapia. Um acesso central na veia subclávia direita foi realizado, visando a eventual necessidade de administração de drogas vasoativas no transoperatório e de nutrição parenteral no período pós-operatório. A cirurgia transcorreu sem complicações e uma jejunostomia foi realizada visando a oferta de dieta enteral também no pósoperatório. Após a cirurgia, o paciente permaneceu intubado, sendo conduzido para unidade de cuidados intensivos (UTI) e mantido em ventilação mecânica. Sobre o suporte nutricional pósoperatório para esse paciente, é correto afirmar:
Nutrição enteral precoce → ↓ complicações infecciosas, ↓ tempo de internação e preservação da barreira intestinal.
Em pacientes cirúrgicos estáveis, a via enteral deve ser priorizada sobre a parenteral para manter o trofismo intestinal, reduzir a translocação bacteriana e modular a resposta inflamatória sistêmica.
O suporte nutricional em pacientes submetidos à esofagectomia é um desafio devido ao estado nutricional prévio (frequentemente desnutridos pela disfagia) e à magnitude do trauma cirúrgico. A via enteral precoce, facilitada pela jejunostomia realizada no transoperatório, é um pilar dos protocolos de recuperação otimizada (ERAS), pois reduz a resposta inflamatória e acelera a cicatrização. A nutrição parenteral deve ser reservada apenas para casos onde a via enteral é impossível ou insuficiente para atingir as metas calóricas após 7 dias, devido ao maior risco de hiperglicemia, disfunção hepática e infecções sistêmicas. A escolha da dieta enteral precoce reflete a compreensão moderna de que o intestino é um órgão imunológico ativo que deve ser estimulado precocemente.
A nutrição enteral é preferível porque mantém a integridade da barreira mucosa intestinal, o que previne a translocação bacteriana e reduz o risco de sepse de origem abdominal. Além disso, apresenta menor taxa de complicações metabólicas e infecciosas (como infecções relacionadas ao cateter central) em comparação à nutrição parenteral, além de possuir um custo significativamente menor.
As diretrizes atuais (como as da ESPEN e ASPEN) recomendam o início da nutrição enteral precoce dentro de 24 a 48 horas após o procedimento cirúrgico, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável. Em cirurgias de grande porte como a esofagectomia, o acesso distal (jejunostomia) permite a oferta calórica sem sobrecarregar a anastomose esofágica.
As contraindicações absolutas incluem obstrução intestinal mecânica distal, isquemia intestinal, hemorragia digestiva alta grave e instabilidade hemodinâmica severa (necessidade de doses crescentes de aminas vasoativas). O íleo paralítico pós-operatório é uma contraindicação relativa, muitas vezes superada pelo uso de sondas pós-pilóricas ou jejunostomias.
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