Nutrição Pós-Laparotomia: Dieta Enteral Precoce via SNE

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 28 anos, vítima de acidente automobilístico, submetido à laparotomia exploradora onde se realizou duodenorrafia, hepatorrafia, colecistectomia e enterecetomia segmentar de cerca de 1 metro de delgado, transição jejuno ileal com anastomose primária enteroentérica e colocação intraoperatória de SNE (Sonda naso entérica) em jejuno. Encontra-se no 2º dia de pós-operatório, hemodinamicamente estável, eupneico, com abdômen flácido, porém sem ruídos hidroaéreos à ausculta e débito de 200 ml pela Sonda naso gástrica em 24 horas. Qual a conduta nutrológica mais adequada dentre as questões abaixo?

Alternativas

  1. A) dieta zero.
  2. B) nutrição parenteral total exclusiva.
  3. C) nutrição parenteral periférica exclusiva.
  4. D) dieta enteral oligomérica via SNE.
  5. E) dieta enteral polimérica via SNE.

Pérola Clínica

Pós-op laparotomia com SNE jejunal e estabilidade hemodinâmica → iniciar dieta enteral polimérica precoce.

Resumo-Chave

Em pacientes pós-operatórios de cirurgias abdominais complexas, a presença de uma sonda nasoentérica em jejuno e a estabilidade hemodinâmica permitem o início precoce da nutrição enteral. A dieta polimérica é a escolha preferencial quando a função digestiva está preservada, mesmo na ausência de ruídos hidroaéreos, pois a nutrição enteral precoce melhora desfechos e reduz complicações.

Contexto Educacional

O suporte nutricional adequado é um pilar fundamental no manejo de pacientes cirúrgicos, especialmente aqueles submetidos a procedimentos abdominais complexos. A laparotomia exploradora, com múltiplas intervenções como duodenorrafia e enterectomia, impõe um estresse metabólico significativo e pode levar a um estado catabólico. A reabilitação pós-operatória moderna enfatiza a importância da nutrição precoce para otimizar a recuperação e reduzir complicações. Neste cenário, a presença de uma sonda nasoentérica posicionada no jejuno é um facilitador crucial. Ela permite o início da nutrição enteral, mesmo na presença de íleo paralítico gástrico e duodenal (evidenciado pelo débito da sonda nasogástrica e ausência de ruídos hidroaéreos), pois o jejuno geralmente recupera sua motilidade mais rapidamente. A nutrição enteral precoce, iniciada dentro de 24 a 48 horas, tem demonstrado benefícios como a manutenção da integridade da barreira intestinal, a modulação da resposta inflamatória e a redução de infecções. A escolha da dieta enteral polimérica é a mais adequada para este paciente hemodinamicamente estável. As dietas poliméricas contêm nutrientes em sua forma intacta e são bem toleradas por pacientes com função digestiva minimamente preservada, sendo mais fisiológicas e econômicas que as oligoméricas. A nutrição parenteral total (NPT) seria uma opção apenas se a via enteral fosse contraindicada ou não tolerada, o que não é o caso aqui, dada a presença da SNE em jejuno e a estabilidade clínica do paciente. A NPT periférica é geralmente insuficiente para as necessidades calóricas e proteicas de um paciente cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da nutrição enteral precoce no pós-operatório de cirurgias abdominais?

A nutrição enteral precoce (dentro de 24-48h) no pós-operatório de cirurgias abdominais é crucial para manter a integridade da barreira intestinal, modular a resposta inflamatória, prevenir a translocação bacteriana, reduzir complicações infecciosas e diminuir o tempo de internação hospitalar.

Por que a sonda nasoentérica em jejuno é vantajosa neste caso específico?

A sonda nasoentérica em jejuno é vantajosa porque permite a administração de nutrição enteral distalmente a reparos no duodeno e à descompressão gástrica (sonda nasogástrica), contornando o íleo gástrico e duodenal e possibilitando o início precoce da dieta, mesmo na presença de débito gástrico.

Qual a diferença entre dieta enteral polimérica e oligomérica e quando cada uma é indicada?

A dieta enteral polimérica contém nutrientes na forma de polímeros (proteínas intactas, carboidratos complexos) e é indicada para pacientes com função digestiva e absortiva preservadas. A dieta oligomérica, com nutrientes hidrolisados (peptídeos, carboidratos simples), é indicada para pacientes com comprometimento grave da função digestiva ou absortiva, como em síndromes de má absorção ou fístulas de alto débito.

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