HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Maria Rosa, 72 nos, com demência de Alzheimer, tem diagnóstico de dolicomegaesôfago. Foi encaminhada ao serviço de endoscopia para passagem de sonda nasoenteral para alimentação, mas apresentou parada cardiorrespiratória e o procedimento não pôde ser feito. Reanimada, foi encaminhada à unidade de terapia intensiva e se recuperou. Tem cardiopatia chagásica. Está em nutrição parenteral desde que foi tentada a passagem da sonda enteral. Quanto à nutrição desta paciente, é correto afirmar:
Falha inicial de SNE por evento sistêmico não contraindica nova tentativa, mesmo em dolicomegaesôfago.
Em pacientes idosos com comorbidades e dificuldade de passagem de SNE, uma falha inicial, especialmente se associada a um evento agudo não diretamente relacionado à anatomia, não deve impedir uma nova tentativa. A nutrição enteral é preferível à parenteral a longo prazo.
A nutrição enteral é a via preferencial para pacientes que não conseguem manter a ingestão oral adequada, mas possuem trato gastrointestinal funcional. É crucial para evitar desnutrição e suas complicações, especialmente em idosos com demência e comorbidades, pois oferece vantagens fisiológicas e menor risco de infecções em comparação à via parenteral. O dolicomegaesôfago pode dificultar a passagem de sondas, mas não é uma contraindicação absoluta. A falha de uma primeira tentativa, especialmente se associada a um evento agudo (como uma parada cardiorrespiratória) que não está diretamente relacionado à anatomia esofágica, pode não refletir uma impossibilidade anatômica permanente, justificando uma nova tentativa após a estabilização clínica do paciente. A nutrição parenteral, embora vital em certas situações de falência intestinal ou contraindicação da via enteral, apresenta riscos significativos a longo prazo, como infecções relacionadas ao cateter, complicações metabólicas e atrofia da mucosa intestinal. Por isso, sempre que possível, a via enteral deve ser priorizada ou restabelecida, buscando a via menos invasiva e mais fisiológica para o paciente.
A nutrição enteral é indicada para pacientes que possuem trato gastrointestinal funcional, mas não conseguem ingerir calorias e nutrientes suficientes pela via oral, seja por disfagia, anorexia grave, ou outras condições que impeçam a alimentação adequada.
A gastrostomia é geralmente preferível para nutrição enteral de longo prazo (mais de 4-6 semanas), quando a passagem da sonda nasoenteral é impossível ou contraindicada, ou quando o paciente não tolera a sonda por via nasal/oral.
A nutrição parenteral prolongada acarreta riscos como infecções relacionadas ao cateter, complicações metabólicas (hiper/hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos), disfunção hepática, atrofia da mucosa intestinal e complicações mecânicas do acesso venoso.
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