Vias de Alimentação Enteral: Indicações e Riscos

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Em relação às vias de alimentação enteral, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) A sonda nasogástrica pode ser usada por longo prazo, sendo fácil de inserir, mas tem risco de contaminação peritoneal se houver extravasamento do seu conteúdo.
  2. B) A jejunostomia é para uso de longo prazo, podendo ser inserida por via cirúrgica, percutânea ou endoscópica, e tem risco de aspiração reduzido.
  3. C) A gastrostomia é uma sonda de uso de curto prazo, pode ser inserida por via cirúrgica, endoscópica ou percutânea e permite tubos de maior calibre com menor risco de obstrução, mas maior de aspiração.
  4. D) A sonda nasoenteral é uma via de curto prazo e tem risco de aspiração reduzido, difícil de obstruir pelo seu calibre maior e uma vez posicionada não causa refluxo.
  5. E) A via oral por ser a mais fisiológica é a de escolha mesmo em pacientes com limitação de deglutição, sendo que nestes a aspiração pode ser prevenida mantendo-os sob entubação orotraqueal.

Pérola Clínica

Jejunostomia = Longo prazo + ↓ Risco de aspiração (posicionamento pós-pilórico).

Resumo-Chave

A escolha da via enteral depende do tempo previsto (>4 semanas indica estomia) e do risco de aspiração (vias pós-pilóricas para alto risco).

Contexto Educacional

A terapia nutricional enteral é indicada para pacientes que possuem o trato gastrointestinal funcionante, mas que não conseguem atingir suas metas nutricionais por via oral. A decisão sobre a via de acesso baseia-se na duração prevista da terapia e no risco de aspiração. Acessos de curto prazo (< 4 semanas) utilizam sondas nasoenterais ou nasogástricas. Acessos de longo prazo (> 4 semanas) exigem estomias (gastrostomia ou jejunostomia). A jejunostomia destaca-se em pacientes críticos ou com disfunção gástrica, pois o posicionamento distal ao ligamento de Treitz minimiza o refluxo e a aspiração, garantindo uma oferta calórica mais segura e contínua.

Perguntas Frequentes

Quais as principais vantagens da jejunostomia?

A jejunostomia é uma via de acesso enteral de longo prazo, geralmente indicada quando há necessidade de alimentação pós-pilórica. Suas principais vantagens incluem a redução significativa do risco de aspiração pulmonar do conteúdo enteral, sendo ideal para pacientes com refluxo gastroesofágico grave, gastroparesia severa ou histórico de aspiração recorrente. Além disso, permite a manutenção da nutrição em pacientes com obstruções gástricas ou duodenais, podendo ser inserida por via cirúrgica, endoscópica ou percutânea radiológica.

Qual a diferença entre gastrostomia e sonda nasogástrica?

A sonda nasogástrica (SNG) é uma via de curto prazo (geralmente até 4 semanas), de fácil inserção, mas que causa desconforto e risco de lesões nasais. Já a gastrostomia (GTT) é uma via definitiva ou de longo prazo, inserida diretamente no estômago através da parede abdominal. A GTT permite o uso de tubos de maior calibre, facilitando a administração de dietas mais viscosas e medicações, além de ser esteticamente mais aceitável e confortável para o paciente, embora apresente maior risco de aspiração que a jejunostomia.

Por que a via oral é contraindicada em pacientes com disfagia grave?

Embora a via oral seja a mais fisiológica, em pacientes com limitações importantes de deglutição (disfagia), ela oferece um risco inaceitável de broncoaspiração, pneumonia aspirativa e desnutrição. A tentativa de manter a via oral com intubação orotraqueal, como sugerido em algumas alternativas incorretas, é clinicamente inadequada, pois a intubação é uma medida de suporte ventilatório invasivo e não uma proteção sustentável para alimentação em pacientes disfágicos crônicos.

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