HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Uma senhora idosa, demenciada, tem diagnóstico de dolicomegaesôfago. Foi encaminhada ao serviço de endoscopia para passagem de sonda nasoenteral para alimentação, mas apresentou parada cardiorrespiratória e o procedimento não pôde ser feito. Reanimada, foi encaminhada à unidade de terapia intensiva e se recuperou. Tem cardiopatia chagásica. Está em nutrição parenteral desde que foi tentada a passagem da sonda enteral. Quanto à nutrição desta paciente, é correto afirmar:
Paciente demenciada com dolicomegaesôfago e falha de SNE → tentar novamente sonda enteral antes de gastrostomia ou NP.
Em pacientes com disfagia e necessidade de suporte nutricional, a via enteral é preferencial à parenteral. Mesmo com dificuldades anatômicas como dolicomegaesôfago, a tentativa de passagem de sonda nasoenteral deve ser repetida, pois é menos invasiva que a gastrostomia e mais segura que a nutrição parenteral a longo prazo.
A nutrição em pacientes idosos, especialmente aqueles com demência e comorbidades como dolicomegaesôfago e cardiopatia chagásica, é um desafio clínico significativo. A via enteral é sempre a preferencial, pois é mais fisiológica, mantém a integridade da barreira intestinal e apresenta menor risco de complicações infecciosas e metabólicas em comparação com a nutrição parenteral. O dolicomegaesôfago, frequentemente associado à doença de Chagas, caracteriza-se por dilatação e alongamento do esôfago, o que pode dificultar a passagem de sondas enterais. No entanto, mesmo diante de uma tentativa inicial falha, a repetição do procedimento com técnicas adequadas (como uso de fio-guia, endoscopia assistida ou diferentes tipos de sondas) é recomendada antes de optar por métodos mais invasivos ou com mais riscos. A gastrostomia, embora uma opção para nutrição enteral de longo prazo, é um procedimento invasivo e deve ser considerada após esgotadas as tentativas de passagem de sonda nasoenteral. A nutrição parenteral, por sua vez, é reservada para situações onde a via enteral é contraindicada ou impossível, devido aos seus riscos inerentes, como infecções de cateter, trombose e complicações metabólicas. A decisão deve sempre ponderar o benefício, o risco e a qualidade de vida do paciente, adotando medidas proporcionais ao seu estado geral.
A nutrição enteral mantém a integridade da mucosa intestinal, previne translocação bacteriana, é mais fisiológica, tem menor custo e menor risco de complicações graves (infecções, trombose) comparada à parenteral.
O dolicomegaesôfago, comum na doença de Chagas, causa dilatação e alongamento do esôfago, dificultando a progressão da sonda e aumentando o risco de enrolamento ou falha na passagem.
A gastrostomia é considerada quando a passagem de sonda nasoenteral é impossível ou inviável a longo prazo, ou quando há alto risco de aspiração persistente, sempre avaliando o prognóstico e a qualidade de vida do paciente.
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