Nutrição no Paciente Cirúrgico: Estratégias e Indicações

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre a nutrição no paciente cirúrgico, assinale a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) Para classificar um paciente como desnutrido, eutrófico ou obeso deve ser usado o índice de massa corporal (IMC), mesmo que de forma isolada;
  2. B) O glicogênio hepático costuma ser consumido em até 05 dias após início de estado de catabolismo e inanição;
  3. C) A dosagem de albumina sérica após politrauma grave é um bom indicativo do estado nutricional do paciente;
  4. D) A administração de albumina venosa, em um paciente com baixos níveis séricos da mesma (<3g/dl), apesar do alto custo, costuma ser benéfica para tratar a desnutrição;
  5. E) A nutrição enteral por sonda pode ser usada em paciente em uso da via oral, em algumas ocasiões específicas.

Pérola Clínica

Nutrição enteral pode complementar via oral em paciente cirúrgico com ingestão insuficiente, otimizando o estado nutricional.

Resumo-Chave

A nutrição enteral por sonda pode ser indicada em pacientes cirúrgicos que, apesar de usarem a via oral, não conseguem atingir suas necessidades nutricionais devido à ingestão inadequada. Isso visa otimizar o estado nutricional e melhorar os desfechos pós-operatórios.

Contexto Educacional

A nutrição adequada é um pilar fundamental no manejo do paciente cirúrgico, influenciando diretamente a recuperação, a cicatrização de feridas e a prevenção de complicações. A desnutrição pré-operatória é um fator de risco independente para morbimortalidade, tornando a avaliação e o suporte nutricional essenciais. A avaliação nutricional no paciente cirúrgico deve ser abrangente, não se limitando ao Índice de Massa Corporal (IMC) isolado, que pode mascarar sarcopenia ou perda de peso recente. Marcadores como albumina sérica, embora úteis, devem ser interpretados com cautela, pois são influenciados pela resposta inflamatória. O glicogênio hepático, reserva energética de curto prazo, é consumido rapidamente (em torno de 24-48 horas) em estados de catabolismo, e não em 5 dias. A terapia nutricional deve ser individualizada. A nutrição enteral é preferível à parenteral sempre que o trato gastrointestinal estiver funcionante, devido aos seus benefícios na manutenção da integridade da barreira intestinal e na redução de infecções. É importante notar que a nutrição enteral por sonda não é exclusiva para pacientes sem via oral; ela pode ser utilizada como suplemento em pacientes que, apesar de se alimentarem oralmente, não conseguem atingir suas necessidades nutricionais, otimizando o suporte e melhorando os desfechos pós-operatórios.

Perguntas Frequentes

Quando a nutrição enteral é indicada em pacientes cirúrgicos?

A nutrição enteral é indicada quando o paciente não pode ou não consegue ingerir calorias e proteínas suficientes pela via oral, ou quando a ingestão oral é insuficiente para cobrir as necessidades aumentadas. Isso inclui situações de desnutrição pré-existente, cirurgias de grande porte, ou recuperação prolongada.

Por que o IMC isolado não é suficiente para classificar o estado nutricional em cirurgia?

O IMC é uma medida de peso em relação à altura e não reflete a composição corporal ou a perda de massa muscular, que são cruciais na avaliação nutricional do paciente cirúrgico. Outros parâmetros, como perda de peso recente, prega cutânea e força muscular, são necessários para uma avaliação completa.

Qual a importância da albumina sérica na avaliação nutricional cirúrgica?

A albumina sérica é um marcador de fase aguda negativa e reflete mais a inflamação e a gravidade da doença do que o estado nutricional crônico. Seus níveis podem estar baixos devido à resposta inflamatória pós-trauma/cirurgia, não sendo um bom indicador isolado de desnutrição aguda. A pré-albumina é um marcador mais sensível para mudanças nutricionais recentes.

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