TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e recidivante, com base em evidências neurobiológicas que envolvem circuitos complexos de regulação do apetite no hipotálamo. O núcleo arqueado (ARC) é uma área-chave nesse sistema, recebendo sinais periféricos e modulando vias orexígenas e anorexígenas. Com base nesse conhecimento, qual das seguintes associações sobre os neurônios do núcleo arqueado e seus efeitos na regulação do apetite está corretamente descrita?
Leptina estimula POMC/CART (anorexigênico) e inibe NPY/AgRP (orexigênico) no hipotálamo.
O núcleo arqueado integra sinais periféricos de saciedade (leptina) e fome (grelina), modulando o balanço energético através das vias POMC e NPY.
A obesidade é uma doença complexa onde a regulação homeostática do peso corporal está alterada. O hipotálamo, especificamente o núcleo arqueado, funciona como um sensor metabólico que recebe informações humorais e neurais. A via das melanocortinas é o principal efetor da saciedade; mutações no gene do receptor MC4R são, inclusive, a causa mais comum de obesidade monogênica. Compreender essas vias é fundamental para o manejo clínico e farmacológico da obesidade. Medicamentos modernos, como os análogos de GLP-1, também interagem com esses circuitos hipotalâmicos para promover a saciedade. O equilíbrio entre os sinais orexigênicos (fome) e anorexigênicos (saciedade) determina o set-point de peso de um indivíduo.
Os neurônios POMC (pro-opiomelanocortina) e CART (transcrito regulado por cocaína e anfetamina) localizam-se no núcleo arqueado do hipotálamo e são responsáveis pela via anorexigênica. Quando estimulados pela leptina ou insulina, eles liberam alfa-MSH, que ativa os receptores MC4R no núcleo paraventricular, resultando em redução da ingestão alimentar e aumento do gasto energético.
A leptina é produzida pelo tecido adiposo e sinaliza as reservas energéticas ao cérebro. No núcleo arqueado, ela exerce um efeito duplo: estimula os neurônios POMC/CART (anorexigênicos) e inibe os neurônios NPY/AgRP (orexigênicos). Em indivíduos com obesidade, frequentemente observa-se uma resistência central à leptina, onde níveis elevados do hormônio não conseguem suprimir o apetite adequadamente.
A grelina é um hormônio produzido principalmente no estômago durante o jejum. Ela é o principal sinal periférico orexigênico, agindo no núcleo arqueado para estimular os neurônios NPY/AgRP. Essa ativação promove a sensação de fome e a busca por alimento, além de reduzir o gasto metabólico basal para preservar as reservas de energia.
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