Abuso Infantil: Sigilo Médico e Dever de Notificação

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Quanto ao sigilo no atendimento à criança ou adolescente com suspeita de abuso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A equipe que atende o caso suspeito de violência não é obrigada a manter e salvaguardar o sigilo das informações contidas no prontuário.
  2. B) Mesmo guardando sigilo, é dever notificar às autoridades competentes sobre qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes.
  3. C) A função da equipe multiprofissional é agir no melhor interesse do serviço de saúde onde o paciente está sendo atendido.
  4. D) Todos os envolvidos no atendimento no PS devem realizá-lo de forma a investigar o mais que puderem para fechar o diagnóstico de violência.

Pérola Clínica

Suspeita de abuso infantil → DEVER de notificar autoridades, mesmo mantendo sigilo médico no prontuário.

Resumo-Chave

A notificação de suspeita de violência contra crianças e adolescentes é um dever legal e ético do profissional de saúde, sobrepondo-se ao sigilo médico individual para proteger a vítima, conforme o ECA e o Código de Ética Médica.

Contexto Educacional

O atendimento a crianças e adolescentes com suspeita de abuso é uma situação complexa que exige dos profissionais de saúde um profundo conhecimento sobre ética médica e legislação específica. O sigilo profissional é um pilar da relação médico-paciente, mas encontra limites quando há risco à vida ou à integridade de terceiros, especialmente de vulneráveis como crianças e adolescentes. Nesses casos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Ética Médica estabelecem a notificação compulsória como um dever. Isso significa que, mesmo mantendo o sigilo das informações no prontuário para outros fins, o profissional de saúde tem a obrigação legal de comunicar a suspeita de violência às autoridades competentes (Conselho Tutelar, Ministério Público, polícia). Essa notificação não configura quebra de sigilo, mas sim o cumprimento de um dever legal e ético de proteção. A função da equipe multiprofissional é agir no melhor interesse da criança ou adolescente, que é a vítima, e não do serviço de saúde ou de outros envolvidos. A investigação deve ser cuidadosa e ética, focando na proteção e no bem-estar do paciente. O conhecimento dessas diretrizes é fundamental para residentes, pois garante a atuação correta e responsável diante de um problema de saúde pública tão grave quanto a violência infantojuvenil.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da notificação compulsória em casos de abuso infantil?

A notificação compulsória é crucial para acionar a rede de proteção à criança e ao adolescente, garantindo a intervenção das autoridades competentes para investigar, proteger a vítima e prevenir novas violências.

O sigilo médico é quebrado ao notificar uma suspeita de abuso?

Não, a notificação de suspeita de violência é uma exceção legal e ética ao sigilo médico, visando a proteção da vida e da integridade física e psicológica da criança, não configurando quebra de sigilo.

Quais as consequências de não notificar uma suspeita de abuso?

A omissão de notificação pode acarretar responsabilidades éticas, civis e criminais para o profissional de saúde, além de perpetuar o ciclo de violência contra a criança ou adolescente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo