CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 20 anos, vem ao consultório queixando-se de pequena nodulação palpável, de cerca de 12 mm e consistência firme, em região anterior do pescoço, em topografia do lobo esquerdo da tireoide. A paciente nega dor, disfonia, disfagia e dispneia. Refere que uma tia apresentou quadro semelhante (diagnóstico ignorado pela paciente) com necessidade de tratamento cirúrgico. O médico que a examinou observou, ainda, linfonodo palpável em cadeia cervical esquerda. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA: I. O TSH sérico de valor normal não exclui a possibilidade de doença maligna; II. Já que não há queixa clínica de alerta (dor, disfagia, dispneia e disfonia), podemos afirmar que a melhor conduta para o caso seria observação clínica sem maior investigação complementar; III. A ultrassonografia da tireoide com Doppler tem maior sensibilidade para suspeita de malignidade que a ressonância magnética cervical; IV. A Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), tanto do nódulo quanto do linfonodo, é o método padrão-ouro para o diagnóstico da possível malignidade do caso acima.
Nódulo tireoidiano: TSH normal não exclui malignidade; PAAF é padrão-ouro para diagnóstico.
A presença de fatores de risco como idade jovem, história familiar de câncer de tireoide, linfonodomegalia cervical e características ultrassonográficas suspeitas (hipoecogenicidade, microcalcificações, margens irregulares) indicam a necessidade de investigação aprofundada de um nódulo tireoidiano, mesmo com TSH normal. A PAAF é o método diagnóstico mais importante para definir a natureza do nódulo.
A avaliação de um nódulo tireoidiano é um desafio comum na prática clínica, exigindo uma abordagem sistemática para diferenciar lesões benignas de malignas. A prevalência de nódulos tireoidianos é alta, mas a maioria é benigna. No entanto, a identificação de fatores de risco e características suspeitas é crucial para direcionar a investigação e evitar atrasos no diagnóstico de câncer. A investigação inicial inclui a dosagem de TSH e a ultrassonografia de tireoide com Doppler. O TSH normal não exclui malignidade, e a ultrassonografia é fundamental para avaliar as características do nódulo (tamanho, ecogenicidade, margens, presença de microcalcificações, vascularização) e a presença de linfonodos cervicais suspeitos. A ressonância magnética cervical tem menor sensibilidade para características de malignidade tireoidiana em comparação com a ultrassonografia. A Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) guiada por ultrassom, tanto do nódulo quanto de linfonodos suspeitos, é o método padrão-ouro para o diagnóstico citopatológico. A decisão de realizar a PAAF é baseada em critérios ultrassonográficos e fatores de risco clínicos. A interpretação dos resultados da PAAF segue o sistema Bethesda, que orienta a conduta subsequente, que pode variar desde observação clínica até intervenção cirúrgica.
Fatores de risco incluem idade < 20 ou > 70 anos, sexo masculino, história familiar de câncer de tireoide, irradiação cervical prévia, crescimento rápido do nódulo, consistência pétrea, disfonia, disfagia, dispneia e linfonodomegalia cervical palpável.
O TSH sérico é o primeiro exame laboratorial a ser solicitado. Um TSH suprimido sugere nódulo hiperfuncionante (geralmente benigno), enquanto um TSH normal ou elevado não exclui malignidade e exige prosseguimento da investigação com ultrassonografia e PAAF, se indicado.
A PAAF é o método padrão-ouro porque permite a obtenção de células do nódulo para análise citopatológica, fornecendo informações cruciais sobre a natureza benigna ou maligna. É um procedimento seguro, minimamente invasivo e com alta sensibilidade e especificidade quando bem indicada e realizada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo