HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022
Mulher, 34 anos, procura atendimento médico por rouquidão e tosse. Realizou ultrassonografia do pescoço que evidenciou nódulo em lobo esquerdo da tireoide de 0,9 cm, sólido, isoecoico, sem calcificações, mais largo do que alto, com bordas regulares e halo completo. Os exames laboratoriais mostram: TSH = 5,85 mUI/L (VR 0,5-5,0), T4 livre = 1,4 ng/dL (VR 0,8-1,8) e anticorpo anti-peroxidase = 21 UI/mL (VR < 35). Não apresenta história de câncer de tireoide ou hipotireoidismo na família. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.
Nódulo tireoidiano < 1 cm com características benignas na USG e TSH discretamente elevado → seguimento com USG anual.
O nódulo tireoidiano, embora sólido e 'mais largo que alto' (que é um sinal de alerta, mas aqui com outras características benignas), tem menos de 1 cm e não apresenta outros sinais de alto risco (calcificações, bordas irregulares). O TSH está discretamente elevado, indicando hipotireoidismo subclínico. A conduta mais adequada é o seguimento com ultrassonografia em 1 ano, conforme as diretrizes para nódulos de baixo risco.
A avaliação de nódulos tireoidianos é uma prática comum na endocrinologia, e a decisão sobre a conduta (seguimento, PAAF ou cirurgia) é guiada por uma combinação de fatores clínicos, laboratoriais e, principalmente, ultrassonográficos. A ultrassonografia do pescoço é a ferramenta mais importante para caracterizar o nódulo e estratificar o risco de malignidade. Neste caso, a paciente apresenta um nódulo pequeno (0,9 cm), sólido, isoecoico, com bordas regulares, halo completo e sem calcificações. Embora a característica 'mais largo do que alto' possa ser um sinal de alerta, as demais características (isoecoico, bordas regulares, halo completo, ausência de calcificações) sugerem um baixo risco de malignidade. O TSH está discretamente elevado, indicando um hipotireoidismo subclínico, que é comum e não necessariamente associado à malignidade do nódulo neste contexto. De acordo com as diretrizes atuais (como as da American Thyroid Association - ATA ou do Colégio Brasileiro de Radiologia - TIRADS), nódulos menores que 1 cm com características ultrassonográficas de baixo risco geralmente não requerem PAAF imediata. A conduta mais apropriada é o seguimento com ultrassonografia de controle em 12 meses. A levotiroxina não é indicada para nódulos benignos ou de baixo risco, e o metimazol é para hipertireoidismo. A cintilografia seria indicada se o TSH estivesse suprimido, para avaliar a funcionalidade do nódulo.
Características de alto risco incluem microcalcificações, margens irregulares, forma 'mais alto que largo' (tall than wide), hipoecogenicidade acentuada e invasão extratireoidiana. Nódulos com essas características, mesmo pequenos, podem ter indicação de PAAF.
A PAAF é geralmente indicada para nódulos maiores que 1 cm com características suspeitas na USG, ou para nódulos menores que 1 cm se houver fatores de risco importantes (história familiar de câncer de tireoide, irradiação cervical prévia) ou características ultrassonográficas de alto risco.
O TSH é fundamental. Um TSH suprimido sugere nódulo hiperfuncionante (geralmente benigno), indicando cintilografia. Um TSH normal ou elevado, como neste caso, não exclui malignidade e direciona a avaliação ultrassonográfica e PAAF conforme o risco.
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