Nódulo Tireoidiano Bethesda II: Conduta e Acompanhamento

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 35 anos, foi encaminhada ao endocrinologista, para avaliar sua ultrassonografia de tireoide. Nega quaisquer sintomas e não apresenta comorbidades relevantes. Nega antecedente familiar conhecido de tireoidopatia ou câncer de tireoide. Exames laboratoriais mostram valores de TSH e de T4 livre normais. Ultrassonografia de tireoide com Doppler colorido: nódulo sólido, hipoecogênico, de contornos regulares, ovalado, sem microcalcificações, localizado no terço inferior do lobo direito, medindo 1,8 x 1,4 x 1,4cm, com fluxo periférico e central no Doppler e outro nódulo misto de contornos regulares, predominantemente cístico, contendo pequena área sólida hipoecogênica, localizado no terço superior do lobo esquerdo, medindo 0,8 x 0,8 x 0,7cm, com fluxo periférico no Doppler. Restante do parênquima tireoidiano com ecotextura fina e discretamente heterogênea, apresentando discreto aumento da vascularização no Doppler, mais evidente à esquerda. Volume total da glândula: 6 cm³. Ausência de linfonodomegalias cervicais.” O resultado da punção aspirativa com agulha fina (PAAF) feita no nódulo do lobo direito foi compatível com Bethesda II. A MELHOR conduta para este caso é:   

Alternativas

  1. A) Realizar terapia de supressão com levotiroxina para redução do tamanho do nódulo tireoidiano e redução de transformação maligna. 
  2. B) Observação clínica dos nódulos tireoidianos. Nenhum exame complementar é necessário no momento. 
  3. C) Solicitar PAAF do nódulo tireoidiano do lobo esquerdo, guiada por US. 
  4. D) Indicar lobectomia direita ou tireoidectomia subtotal. 

Pérola Clínica

Nódulo tireoidiano Bethesda II (benigno) em paciente eutireoidiana → Observação clínica e USG de controle.

Resumo-Chave

Um nódulo tireoidiano com PAAF Bethesda II é considerado benigno, e na ausência de sintomas ou alterações hormonais, a conduta é conservadora. A vigilância por ultrassonografia é importante para monitorar mudanças no tamanho ou características suspeitas.

Contexto Educacional

Nódulos tireoidianos são achados comuns, especialmente em mulheres, e a maioria é benigna. A avaliação inicial envolve história clínica, exame físico, dosagem de TSH e ultrassonografia. A estratificação de risco é fundamental para decidir a necessidade de PAAF. A PAAF é o método mais eficaz para diferenciar nódulos benignos de malignos, e seus resultados são classificados pelo sistema Bethesda. Um resultado Bethesda II (benigno) indica baixo risco de malignidade, e a conduta é de observação. Características ultrassonográficas, como tamanho e ecogenicidade, guiam a decisão de puncionar, mas um nódulo misto pequeno (<1cm) com características benignas pode ser apenas observado. Para nódulos benignos (Bethesda II), a conduta é a observação clínica e ultrassonográfica periódica, geralmente a cada 12-24 meses, dependendo do tamanho e das características. A terapia de supressão com levotiroxina não é recomendada rotineiramente para nódulos benignos em pacientes eutireoidianos, pois não há evidências claras de benefício na redução do tamanho ou prevenção de malignidade, e pode causar efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são as características ultrassonográficas de um nódulo tireoidiano suspeito?

Características suspeitas incluem hipoecogenicidade acentuada, microcalcificações, margens irregulares, formato mais alto que largo e fluxo central intenso. No entanto, a PAAF é crucial para a estratificação de risco.

O que significa um resultado Bethesda II na PAAF de tireoide?

Bethesda II indica um nódulo benigno, com risco de malignidade inferior a 3%. Geralmente, não requer cirurgia e a conduta é de acompanhamento clínico e ultrassonográfico.

Quando é indicada a repetição da PAAF em nódulos tireoidianos?

A repetição da PAAF pode ser indicada se houver crescimento significativo do nódulo, surgimento de características ultrassonográficas suspeitas ou se a PAAF inicial foi não diagnóstica (Bethesda I).

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