UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023
Paciente MCF, sexo feminino, 51 anos, refere ter percebido no banho a presença de um nódulo em topografia cervical anterior a esquerda, medindo cerca de 3 cm, não doloroso e que se movia quando a paciente deglutia. A paciente procurou assistência médica e foi solicitado ultrassonografia do pescoço. A ultrassonografia mostrou um nódulo de 2,5 cm, hipoecóico de contornos irregulares e com microcalcificações. Foi solicitado uma punção aspirativa do nódulo que teve o resultado de BethesdaV. Qual das condutas abaixo não seriam adequadas para o caso acima?
Nódulo tireoidiano Bethesda V (suspeito de malignidade) → Conduta é cirúrgica, nunca acompanhamento.
Um nódulo tireoidiano com características ultrassonográficas suspeitas (hipoecóico, contornos irregulares, microcalcificações) e resultado de punção aspirativa Bethesda V (suspeito de malignidade) indica alta probabilidade de câncer de tireoide. Nesses casos, a conduta padrão é cirúrgica (tireoidectomia), e o acompanhamento expectante não é uma opção adequada.
Nódulos tireoidianos são achados comuns, com prevalência que aumenta com a idade. A maioria é benigna, mas a identificação de nódulos malignos é crucial. A avaliação inicial envolve exame físico, dosagem de TSH e ultrassonografia cervical. A ultrassonografia é fundamental para caracterizar o nódulo e guiar a decisão de realizar uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF), que é o método mais eficaz para determinar a natureza do nódulo. A classificação de Bethesda para PAAF de tireoide padroniza a interpretação citopatológica e orienta a conduta. Bethesda V (Suspeito de Malignidade) indica um alto risco de câncer, geralmente carcinoma papilífero ou folicular. Nesses casos, a conduta expectante ou acompanhamento não é apropriada, pois atrasaria o diagnóstico e tratamento de uma neoplasia. A conduta para Bethesda V é cirúrgica, com opções de tireoidectomia parcial (lobectomia) ou total, dependendo de fatores como tamanho do nódulo, presença de multifocalidade, extensão extratireoidiana, metástases e preferências do paciente e do cirurgião. O exame de congelação intraoperatória pode auxiliar na decisão do tipo de cirurgia. O objetivo é remover o tecido maligno e minimizar o risco de recorrência, garantindo o melhor prognóstico para o paciente.
A classificação Bethesda V significa 'Suspeito de Malignidade'. Isso indica que as características citológicas do nódulo são altamente sugestivas de câncer, com um risco de malignidade de 60% a 75%. Geralmente, sugere carcinoma papilífero ou folicular.
Características ultrassonográficas suspeitas incluem hipoecogenicidade, contornos irregulares ou espiculados, microcalcificações, vascularização intranodular proeminente, formato mais alto do que largo e evidência de invasão capsular ou linfonodos cervicais suspeitos.
A tireoidectomia parcial (lobectomia) é geralmente considerada para nódulos menores, sem evidência de doença multifocal ou metástases, e em casos de baixo risco. A tireoidectomia total é indicada para nódulos maiores, multifocais, com invasão extratireoidiana, metástases linfonodais ou à distância, ou em pacientes com alto risco de recorrência, além de ser a opção preferencial para Bethesda V em muitos centros.
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