UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Considere uma mulher, 32 anos, atendida no ambulatório de endocrinologia e metabologia por nódulo tireoidiano e hipotireoidismo autoimune. História familiar de carcinoma papilífero. Ultrassonografia de tireoide: nódulo dominante de 3,5 × 2,0 cm em istmo, acentuadamente hipoecogênico, margens irregulares, com microcalcificações no seu interior. Em uso de levotiroxina 100 mcg/dia e TSH: 1,7 mU/L (Valor referência: 0,55 a 4,78 mU/L). Assinale a alternativa correta com base no caso clínico.
Nódulo tireoidiano com Bethesda III (AUS/FLUS) → repetir PAAF ou considerar cirurgia, especialmente com US suspeito e história familiar.
Um nódulo tireoidiano com características ultrassonográficas altamente suspeitas (hipoecogenicidade, margens irregulares, microcalcificações) e história familiar de carcinoma papilífero tem alto risco de malignidade. Se a PAAF inicial resultar em Bethesda III (AUS/FLUS), a conduta mais apropriada é a repetição da PAAF para melhor elucidação diagnóstica, devido à taxa de malignidade intermediária dessa categoria.
A avaliação de nódulos tireoidianos é uma parte crucial da prática clínica, especialmente considerando a alta prevalência desses achados e a necessidade de identificar aqueles com risco de malignidade. A ultrassonografia de tireoide é a ferramenta inicial de escolha, permitindo caracterizar o nódulo e guiar a punção aspirativa por agulha fina (PAAF). A PAAF é o método mais eficaz para determinar a natureza de um nódulo tireoidiano. Os resultados são classificados pelo Sistema Bethesda para Citopatologia da Tireoide, que categoriza os achados em seis classes, cada uma com um risco de malignidade associado e uma recomendação de conduta. A categoria Bethesda III (Atipia de Significado Indeterminado ou Lesão Folicular de Significado Indeterminado - AUS/FLUS) representa um desafio diagnóstico, com um risco intermediário de malignidade. Nesses casos de Bethesda III, a conduta mais comum é a repetição da PAAF para tentar obter um diagnóstico mais definitivo. Fatores como características ultrassonográficas suspeitas, história familiar de câncer de tireoide e idade do paciente influenciam a decisão de repetir a PAAF ou considerar uma abordagem cirúrgica diagnóstica. A tireoglobulina sérica não é um marcador diagnóstico para nódulos primários, sendo mais útil no seguimento pós-operatório.
Características ultrassonográficas de alto risco incluem hipoecogenicidade acentuada, margens irregulares ou espiculadas, microcalcificações, formato mais alto que largo e evidência de invasão extratireoidiana ou linfonodos suspeitos.
Bethesda III (Atipia de Significado Indeterminado ou Lesão Folicular de Significado Indeterminado - AUS/FLUS) indica que a amostra citológica apresenta atipias que não são suficientes para um diagnóstico benigno nem maligno, com um risco de malignidade de 10-30%.
A conduta para Bethesda III geralmente envolve a repetição da PAAF (preferencialmente guiada por ultrassom), acompanhamento clínico e ultrassonográfico rigoroso, ou em casos selecionados com alto risco clínico/ultrassonográfico, pode-se considerar a cirurgia diagnóstica.
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